Levaste todas as cores contigo.

Hoje, choro. Porque partiste. Porque não me disseste nada. Porque deixaste de atender às minhas chamadas. Porque não mais apareceste naqueles sítios que se tornaram tão nossos, por esta cidade tão fria, a que só o amor é capaz de dar cor. E tu, outrora, foste-as. 

Eras a cinza das calçadas que tanto pisámos, lado a lado, naqueles passeios tardios embalados pelo som das nossas gargalhadas. Eras o amarelo do Sol, que tanto incidia sobre as nossas cabeças e que tanto nos cegava (ou talvez só a mim me cegou). Eras o branco do meu sorriso, que tão naturalmente se esboçava na tua presença; na tua e de mais ninguém. E eras o vermelho do meu coração, que tão insistentemente batia por ti e sussurrava o teu nome no meu peito. 

Mas tu partiste, e levaste todas essas cores contigo. E a tamanha azáfama colorida dos meus dias, não mais voltou. E eu juro-te que (te) esperei. Mesmo aqui, neste banco desbotado pela chuva, onde agora me encontro. E onde, outrora, nos perdemos em conversas mais longas que os caminhos que percorremos, naquelas tardes primaveris que eu julgara, erradamente, que durariam para sempre. 

Mas a cidade está deserta, agora. E o teu nome continua escrito por todo o lado: nas pedras do caminho, no preto do alcatrão, no fumo dos carros e nas entradas dos cafés. Nas solas dos meus sapatos, na palma da minha mão, nas cicatrizes à flor da minha pele. No meu pescoço, nas minhas lágrimas e no meu sorriso (se é que lhe posso chamar isso, agora). 

Não consigo escrever mais sobre ti, porque dói. Dói por ser a única coisa que me resta fazer, quando a minha maior vontade é ver-te chegar (e ainda estás a tempo...). E enquanto durmo... a chuva há-de limpar o teu nome da cidade, e a forma dos teus passos pela calçada. E o tempo há-de devolver-me as cores todas que tu levaste contigo.

Nem te despediste. Nem disseste nada. 
Nem um passo deste na minha direcção. 
Nem um último abraço... nem um último beijo 
(e pudesse eu lembrar-me a que sabem os teus beijos!...).

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LADY WRITER

Eu tenho um sonho. Um sonho que realizo todos os dias: escrever. Agora, também tenho um objectivo: ser escritora. Quiçá, um dia terei o meu nome em capas duras, espalhadas por prateleiras. Até à obra nascer, hei-de sonhar. CONTACTO: imdanierose@gmail.com