ESTÁS AÍ? ESTE É PARA TI.


Não sei quem tu és: sim, tu. Tu que estás a ler-me, neste preciso momento. Talvez até me conheças de alguma maneira; quiçá, conheces-me melhor que muitos outros; ou talvez nem passes de um estranho qualquer. Não interessa. Só te tenho a dizer que, este mesmo texto, não é para ti. Podes lê-lo, como é óbvio. Mas é possível que não faça o menor dos sentidos. Por isso, peço desculpa pelas palavras que se seguem - dirigidas a uma pessoa e a uma apenas.

Olá. Estás aí? És tu, desse lado? Eu espero que sim. Porque se tu não leres isto, então eu estarei a “falar” para o vazio. Quiçá, talvez seja mesmo isso que estou a fazer. Mas deixa-me acreditar, está bem? Deixa-me crer que és tu, desse outro lado, a ler as minhas palavras, como sempre fizeste.

Imagino o que possas pensar: “Mas o que é que ela tem mais a dizer? Mas porque é que ela tanto insiste? Mas porque é que ela não me deixa em paz?”. Se é isso que pensas, então acalma-te. Por favor. Não estou aqui para mais acusações, e muito menos para despejar ainda mais as minhas mágoas. Até porque este texto, ao contrário de todos os outros, não é de mim para mim. É de ti; para ti e - só - para ti.


Eu sei que fui embora daí. Dessa tua vida, que tanto marquei e que de tanto fiz parte. E eu não quero que - nem por um segundo - tu acredites que o fiz (apenas) por mim. Eu fi-lo por nós. Para o bem de ambos. Tu viste como nos estávamos a cansar e a deteriorar cada vez mais. Viste o nosso respeito mútuo a virar cacos. Viste os nossos momentos a virarem cenários de guerra. Viste tudo o que construíramos a virar pó. Tu sabes bem que foi o melhor a ser feito, não sabes?

Mas também não quero que - nem por um segundo - tu penses que está a ser fácil. Não sei quanto a ti, mas, às vezes, só quero recuar e tentar de novo. Só quero voltar àquele café e perder-me em conversas aleatórias contigo, enquanto perdemos a conta dos cigarros e das cervejas. Só quero voltar àquela avenida que tanto percorremos de braço dado. Só quero voltar àquele tempo quando nada era fácil, mas, mesmo assim, estávamos juntos. Mas tu bem sabes que não posso. Tu bem sabes que já há muito que éramos uma bomba prestes a detonar.

E, no entanto, cá estou eu. A conformar-me com esta terrível realidade aonde não chegas. A tentar lidar com o facto de que jamais vou ouvir os teus desabafos. Ou as tuas músicas improvisadas. Ou as tuas histórias e peripécias que me contavas com tanto entusiasmo no olhar. Quando penso nisso, só me apetece chamar-te. Voltar atrás com tudo o que disse e ir ao teu encontro. Mas tu bem sabes que eu não posso. E que as coisas nunca poderiam voltar a ser o que eram, a partir do momento em que nós não somos mais os mesmos.


Custa-me tanto não estar aí. Não saber pelo que estás a passar. Não saber se estás bem, ou mal. Custa-me, mas sabes que eu não posso saber nenhuma dessas coisas. Porque eu perdi esse direito, da mesma forma que tu também o perdeste.

Só espero que saibas que nunca nos encararei como um desperdício de tempo. E muito menos como um erro cometido vezes e vezes sem conta. Nós fomos o mais real que duas pessoas poderiam ser. Por isso, estou-te eternamente grata. Por meteres ensinado que tudo vale a pena, mesmo que não resulte. Mostraste-me o quão forte eu posso ser. E que o amor nunca se dissipa por completo, apenas transforma-se. E o meu por ti transformou-se nesta saudade tão bem empoleirada no meu peito: este espaço, que será sempre teu.


Bem… Acho que só me falta dizer-te o quanto espero que encontres alguém que te mostre o mundo. E espero ainda mais que te tornes em tudo aquilo de que és capaz (e eu sei que és...). Eu continuo a acreditar nisso e isso nunca mudará. Mas tu bem sabes que eu (já) não posso fazer mais nada por ti. Mas eu bem sei que tu - sim -, tu podes. Sê forte. E nunca te esqueças: não é o que tu perdes que faz de ti um perdedor. Mas é o que tu procuras alcançar, que faz de ti o maior dos lutadores. E eu não quero nunca que tu desistas, nem de ti, nem de todos os teus sonhos que de tanto me falaste.

Para sempre terei saudades tuas. Nossas… Adeus.

1 mixed words:

 

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LADY WRITER

Eu tenho um sonho. Um sonho que realizo todos os dias: escrever. Agora, também tenho um objectivo: ser escritora. Quiçá, um dia terei o meu nome em capas duras, espalhadas por prateleiras. Até à obra nascer, hei-de sonhar. CONTACTO: imdanierose@gmail.com