Vives rápido, morres rápido. Simples.


Vive-se demasiado rápido. Estamos constantemente a apressarmo-nos, seja para o que for. Acordamos, dia após dia, e temos agenda premeditada na nossa cabeça. Corremos de um lado para o outro, mecanicamente, só com o destino marcado em vista. E tornamo-nos cada vez mais incapazes de saborear o que quer que seja. Os momentos passam por nós, e nem os vivemos. Lá está: vivemos demasiado rápido e morremos mais depressa ainda.

Mais que isso: amamo-nos demasiado depressa. Do género, “vou levar-te ao cinema, mas não te atrases”. Ou então, “beija-me agora, porque não me posso atrasar para o trabalho”. Os beijos longos tornam-se cada vez mais curtos. E os abraços apertados? Viram cumprimento cómodo, simplesmente porque cai bem e tem de ser. Lá está: amamos tão em frenesim e à pressa, que nos perdemos demasiado cedo uns dos outros.

Vivemos na era da impaciência. Somos a geração do querer tudo de ginjeira. E quando assim não o é, deixamo-nos estar. Nem nos importamos mais com isso. Somos do tempo do “estragou-se? Troca-se”, em vez do de “estragou? Concerta-se”. E que mundo é este, em que vivemos? Onde o amor é construído em cima do joelho, e onde se desiste aos primeiros abalos? Mas o que é isto? E que mundo é esse, em que até as coisas mais genuínas são banalizadas? Onde um “tudo” que durou anos, vira “nada” em breves segundos? Onde uma história de vida, é facilmente trocada por uma história de uma noite?


Temos de aprender a ter (mais) calma. A parar, por um momento, e a absorver o tudo que nos rodeia. Abraçarmo-nos durante uma eternidade. Beijarmo-nos durante duas. Não dizer “amo-te” de ânimo leve. Não amar sem se ser capaz de lutar o que for preciso. Temos de aprender a ser (mais) sinceros; connosco e com o mundo. E o que é que nos custa?

Aí está: somos da geração que quer trabalho, mas que não quer trabalhar. Queremos tudo de bandeja, na hora e já. Não sabemos esperar. Nem queremos. Regemo-nos por esta filosofia doente de “há mais peixe no mar”, quando só aquele raríssimo peixe – e mais nenhum – deveria ser o único capaz de matar a tua fome. Não queremos nos dar ao trabalho de lutar por manter, porque só a conquista tem piada. Queremos tudo tão fácil. E, assim, acabamos por nunca possuir realmente nada, nem chegar a lado nenhum. Vivemos como estúpidos ingénuos, acreditando que a felicidade vem de meios materiais, de confortos supérfluos e de festas sem fim. Vulgarizamo-nos e vivemos vidas tão vulgares, que acabamos por nem poder chamar ao que fazemos de ‘viver’.


Gostava de ter vivido no tempo dos romances e das cartas trocadas, que levavam tempo a receber e que nos faziam esperar ainda mais pelas respostas. Mas não. Vivo no mundo das sms, coisa tão trivial de trocar e mais ainda de ignorar. E no mundo em que se vive um romance todos os anos, sempre com uma pessoa diferente. “O tal” vira “um qualquer”, desde que me leve a sair umas vezes por semana e me dê presentes no São Valentim. O “amo-te” vende-se como produto em promoção. E, quando algo não resulta, segue-se logo para outra coisa qualquer. Cagamos e andamos, como se não passássemos de cavalos.

Temos todos de aprender a amar e a viver. A escutar e a observar. A acalmar esta pressa e esta fugacidade, que só nos atrasa mais do que qualquer outra coisa. E temos também de começar a perceber que as pessoas não são brinquedos e que esta vida não é um jogo para vermos quem ganha. Perdedores são aqueles que só sentem que ganham, ao fazerem outrem perder. E este mundo precisa de muitos mais vencedores. E continuadores. E lutadores. E o que é que nos custa, se o mínimo que podemos fazer é sermos o melhor que conseguirmos ser?


Um brinde aos beijos longos. Aos abraços apertados. Às conversas sem fim. Às tardes à beira-mar. Aos livros na cabeceira. Às músicas cujas letras sabemos de cor. Aos casais apaixonados que já passaram por muito, e que continuam a lutar para que se passe muito mais. Aos não desistentes. Aos românticos que ainda acreditam no amor verdadeiro e que fazem por isso. Às famílias que tiram tempo para estarem juntas. Aos homens que fazem uma mulher sentir-se única. Às mulheres que fazem um homem sentir-se invencível.

E, acima de tudo, um brinde a quem é capaz de, todos os dias, tornar o mundo de alguém num lugar melhor.

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LADY WRITER

Eu tenho um sonho. Um sonho que realizo todos os dias: escrever. Agora, também tenho um objectivo: ser escritora. Quiçá, um dia terei o meu nome em capas duras, espalhadas por prateleiras. Até à obra nascer, hei-de sonhar. CONTACTO: imdanierose@gmail.com