Ela era a cura da tua doença.

Será que alguma vez olhaste para ela com olhos de ver? Não me refiro a um relance de olhar. Estou a falar de realmente observá-la como o todo que ela é. Nunca fizeste isso, pois não? Talvez porque julgaste que ela sempre iria lá estar. Tal e qual como sempre fora. A alimentar-se das poucas resmas da tua atenção. À espera num beco sombrio pela tua chegada incerta. A fazer tudo por ti, sem te pedir nada em troca. Tu julgaste que iria ser sempre assim, não julgaste? Mas, então, e agora? Deixaste de vê-la. Para onde será que ela foi?

Será que alguma vez te apercebeste do quanto ela gostou de ti? Não me refiro às palavras doces. Ou às noites quentes passadas a dois. Nem sequer aos presentes e aos “eu amo-te” trocados. Estou a falar do quão longe ela foi por ti. O quanto ela acreditou num futuro imenso do teu lado. E a maneira como ela aprendera a amar todos os teus defeitos, vícios e manhas. Por mais que esses te afastassem de ti e de si. O quanto ela se manteve na primeira fila para todo o caos que tu és, sem vacilar. Medo, sim, ela tinha. Mas nunca o deixou intrometer-se naquilo que sentia. Alguma vez te apercebeste de tudo isso? De tudo o que ela fazia para manter-te na sua vida? Por mais que a ferisse? Por mais que a fizesse perder-se do mundo?


Será que alguma vez a escutaste verdadeiramente? Não me refiro às pequenas conversas por entre lençóis. E muito menos aquelas típicas chamadas tardias, antes de ires dormir. Estou a falar de todas as palavras que ela escondia nas entrelinhas que a sua boca nunca foi capaz de desenhar. Estou a falar de todos os segredos que se lhe morriam nos lábios. Estou a falar de todas as confissões que ela te sussurrava, à noite. Tudo isso que nunca conseguiste ouvir realmente. E porquê? Por falta da tua atenção e da tua paciência. E ela tinha tanto a dizer-te... E para quê? Se ela sempre soube que jamais estarias lá para escutá-la? Depois de tudo o que ela fez por ti. Nem da sua voz foste merecedor.

Será que alguma vez encontrarás alguém como ela? Não me refiro a alguém que te ame. A alguém que faça amor contigo. A alguém que te acompanhe em saídas românticas. Estou a falar de alguém que seria capaz de lutar por ti, acima de tudo. De esperar por ti, por entre o escuro e o silêncio, quando tu nem eras certo de voltar. De acreditar em ti acima de ti mesmo. De agarrar-se à única razão para ficar, em vez das mil e uma que tinha para ir embora. Alguém como ela: que só te queria a ti. Por mais que nem a merecesses. E tu nunca a mereceste, sabias? Será que alguma vez te aperceberás disso?


E queres saber outra coisa sobre ela? Ela amou-te como ninguém. E, por ti, sofreu como nunca. Jamais to dirá, olhos nos olhos, por querer poupar-te à dor. Algo que nunca fizeste por ela. E mais: ela faria tudo de novo. As discussões chorosas, as chamadas ignoradas, as palavras nunca entendidas... Ela faria tudo outra vez - por seres tu. Sempre com a esperança de que, algures dentro desse teu coração morto, uma parte tua aprendesse a amá-la de volta. E tu nem a precisavas de amar tanto assim. Ela amar-te-ia na mesma – por seres tu.

E queres saber (ainda) outra coisa? Ela está (finalmente) a seguir em frente. Dia após dia, ela sente-se cada vez mais capaz de sorrir. De voltar a viver, depois de a teres morto tanto. E de voltar a acreditar em todas aquelas coisas que passaram a mentiras, depois de teres partido. E quando esse dia chegar – o dia em que finalmente te esquece de vez - ela jamais voltará. E encontrará um homem que a veja, que a ouça e que a ame. Como tu nunca foste capaz. Apesar de todas as oportunidades e de todo o tempo que ela te concedeu.


Talvez nem seja tarde demais... Talvez já seja... Talvez ainda estejas a tempo de aperceber-te de todas estas coisas e de ires atrás dela, por uma vez. O teu orgulho? Mas então e o dela? O que ela tanto sacrificou por ti?

Ela só te queria salvar, não percebes? Então, porque é que insistes em morrer?

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LADY WRITER

Eu tenho um sonho. Um sonho que realizo todos os dias: escrever. Agora, também tenho um objectivo: ser escritora. Quiçá, um dia terei o meu nome em capas duras, espalhadas por prateleiras. Até à obra nascer, hei-de sonhar. CONTACTO: imdanierose@gmail.com