quinta-feira, janeiro 28, 2016

EU VI-O APAIXONAR-SE POR OUTRA


Eu vi-o apaixonar-se por outra. Eu assisti mesmo a esse cenário, tal qual um filme que vamos ver ao cinema, e que ficamos na dúvida se já o vimos alguma vez, ou não. Foi mesmo a isso que soube tudo aquilo: a uma mágoa já esperada, temida e preparada, há imenso tempo… Mas não se iludam: doeu exactamente como deveria ter doído. E temo não ter as palavras certas para descrever tamanha dor, porque tenho a certeza que ainda não foram inventadas…

Eu vi o homem que amava, apaixonar-se por outra. Se bem que, ao princípio, não passava de uma desconfiança teimosa minha. Afinal, eu (ainda) amava aquele homem; conhecia-o como mais ninguém. E havia qualquer coisa na maneira com que ele me respondia às mensagens, que tanto denunciavam o quanto eu (ainda) estava à sua espera. As suas respostas eram firmes, frias, directas e objectivas, quase que suplicando “segue em frente…”. Como quem já há muito o fez.

Eu vi o homem que mais amei, apaixonar-se por outra. Nem sei se foi por acaso, ou por intenção, mas numa conversa com um amigo em comum, o seu nome surgiu. E, aí, eu fiz as típicas perguntas “como-quem-não-quer-a-coisa”: como é que ele está, os estudos, a vida, se continua o galã que sempre foi. “Não, de todo”, diz-me o amigo com um sorriso no olhar. E foi aí que eu soube. Uma mulher aparecera e conseguira fazer o que eu nunca consegui, apesar de ter tentado com todas as forças: que ele ficasse.


Eu vi o homem que não conseguia esquecer, por nada deste mundo, apaixonar-se por outra. Descobri o nome dela e fui logo vasculhar as suas redes sociais, como se isso fizesse algum sentido. Fotografia a fotografia, e quanto mais observava o seu perfil, mais eu me apercebia do quão diferente ela era de mim. Como? Como é que ele conseguiu apaixonar-se por alguém que não tem nada a ver comigo? E porquê? Porque é que eu insisto em ser tão masoquista, parva, estúpida… Agora, estou no perfil dele: já há tanto tempo que lá não ia… tretas… Músicas românticas, citações de romances, uns atrás dos outros… Porquê? Porque é que ele parece tão mais apaixonado por ela, do que alguma vez esteve por mim?

Eu vi o único homem que amei, a seguir em frente sem mim. Apesar de todas as promessas. sonhos. planos. Eu vi-o apaixonar-se por outra. Apesar dele sempre me ter dito que nunca ninguém iria tirar-me o lugar. Que nunca ninguém iria conhecê-lo como eu o conheci. Agora? Agora tudo isso - as promessas, os sonhos, os planos - estavam a ser feitos com ela. E todas as palavras que ele me dissera… Agora é ela quem as ouve. Então, mas, e eu? Como pode tudo ser tão injusto para mim, se sempre fui eu quem lutou, sem nunca pedir nada em troca?


Até me ter apercebido que, vê-lo apaixonar-se por outra, não foi, de todo, a coisa mais dolorosa a que eu assisti. De repente, lembrei-me de todas as vezes em que este me mentiu, olhos nos olhos. De todas as vezes em que me afastou, por medo ou por egoísmo. De todas as vezes em que lhe gritava, mas ele nunca fazia por me ouvir. E, por fim, de como foi ter de vê-lo partir, de malas feitas… Isso sim, foi maior que qualquer outra dor.

Eu vi aquele homem apaixonar-se por outra. Aquele homem que, outrora, se apaixonou por mim. Aquele com que vivi uma história como nenhuma outra. Aquele cujas falhas eu aprendi a amar, acima de tudo, por fazerem parte de quem ele é… E esse tal homem partiu-me o coração e apaixonou-se por outra. Talvez porque ele sempre soubera que ambos merecíamos melhor.

terça-feira, janeiro 26, 2016

sexo... sem Amor (+16)


Há qualquer coisa de tragicamente mágica em sermos arruinados por quem mais amamos. Era isso que dizia a mim mesma, assim que me encontrava no mesmo fundo do poço. (Até perdi a conta das vezes… Tal a desgraça em que eu me tornara.) E por quem? Por ele. E porquê? Porque eu acreditava veemente que era assim que tinha de ser. Que o Amor era a tal doença incurável; o expoente da loucura; a guerra insana por que valeria sempre a pena morrer.

Jamais irei esquecer de como tudo se passava, de todas as vezes. A sensação de vê-lo aproximar-se de mim - de sentir as tais palpitações e o embrulhar do estômago, a que chamam de borboletas. (Tretas…). O sentimento intenso, um tanto voraz, avassalador que me possuía, de cada vez que nos víamos entre quatro paredes. Longe dos olhares, virávamos brutos, doentes, carnais. Puxões no cabelo, dentadas à flor-da-pele, arranhões ao longo das costas, tempestades vis entre lençóis; a miscelânea dos nossos suores e suspiros, a sede incontrolável de tê-lo mais fundo, de tê-lo mais perto… Como se nunca nada fosse suficiente.

Por mais que o tivesse junto a mim, ao ponto em que já nem sabia onde o meu corpo acabava e o dele começava. Por mais que o agarrasse entre as minhas coxas. Por mais que o segurasse contra o meu peito, que ele beijava e mordia, como se quisesse devorar-me. (Talvez queria… Assim o fez). E por mais que nos consumíssemos até não restar nada; fosse no quarto, ou no sofá, ou no chão… Nunca nada nos sabia a suficiente. (Tal doentio era o nosso Amor…)

E a nossa ânsia em nos arruinarmos; em nos levarmos a ambos à loucura. Os berros bêbedos a ecoar por toda a casa. O whiskey barato do seu hálito contra o meu bafo a licor mais barato ainda. O fumo dos cigarros a turvar ambos os nossos rostos, que sabe-se lá desde quando haviam-se deixado de conhecer. Tamanha era a amargura das nossas palavras: tu és um estúpido e tu és uma merda, e vai-te embora, não apareças nunca mais. Mas nós nunca íamos. Partíamos todos os pratos e acabávamos, na mesma, dormindo sobre os cacos.

Era essa dança repetida. Esse ciclo vicioso que não nos deixava deixarmo-nos em paz. Era essa corrida para ver quem chegava primeiro ao fim. Era essa insistência no que há muito deixara de fazer sentido, por ser a única coisa que nos fazia sentir vivos. Eu… Ele… Só nos soubemos arruinar enquanto o nosso Amor durou.


Porque, de cada vez que estávamos juntos como um só, eu acordava cheia de feridas na pele, marcas dos seus dentes, e nódoas negras por todos os locais onde ele me agarrara. Porque, de cada vez que fazíamos Amor, ele quebrava-me de tal forma e, depois, partia, nunca se preocupando em juntar os tais cacos. Ele partia e só o seu cheiro ficava, a alimentar a espera do seu regresso. Tudo sumia com ele… Menos as tais marcas que me doíam no corpo, e eu ria-me porque acreditava que o Amor deveria ser feito sempre assim.

Mas que Amor? Agora que penso nisso, nunca sequer o fizemos. Éramos demasiado brutos. Éramos demasiado loucos, dementes, possessivos e irados… Éramos monstros, que se escondiam entre noites alcoolizadas, entre lençóis gastos. Éramos as roupas espalhadas pelo quarto, junto à porta, como que adivinhando que ambos iríamos partir.

E o Amor jamais pediria que nos partíssemos daquela maneira… Que Amor? O Amor nunca se faria assim. E eu descobri essa diferença demasiado tarde para me salvar da ruína em que esse me deixou.

segunda-feira, janeiro 11, 2016

EU NÃO QUERO DESISTIR DE TI.


Estás a ver? Eu bem te avisei, mas tu não ligaste nenhuma. Não fosses tu o maior teimoso à face da terra… Mas eu bem te disse, antes do início de tudo, que eu não era fácil de lidar. Disse-te isto naquele café barato e recôndito, junto à esquina da minha casa, lembras-te? As tostas mistas que pedimos eram - no mínimo - medíocres, mas tornaram-se automaticamente nas minhas favoritas. Bem me avisaram… Que pessoas como tu, capazes de moldar outras, com o mínimo esforço, são aquelas de que devemos ter mais cuidado.

Tu conheceste-me quando estava no meu melhor, isso é certo. E, juntos, começámos da maneira como sempre se começa: felizes, espontâneos, a sentir tudo à flor da pele. Juntos, conseguimos ser os melhores que poderíamos ser. Tu dizias-me que eu trazia o teu melhor ao de cima, e eu dizia-te o mesmo. Mas estávamos errados; talvez. Talvez simplesmente fôramos abençoados com o melhor timing possível… Era tudo tão simples, porque lá está: começar é sempre tão fácil. O depois… O depois é que nos mete à prova.


E eu bem te avisei… Que os ventos mudam de direcção quando menos esperamos. E que uma tempestade espreita sempre ao virar da esquina. Chamaste-me fatalista, entre risos, enquanto me beijavas os nós dos dedos - um a um. E, ao mesmo tempo, sugaste e sopraste todos os meus medos - um a um. Mas eu estava certa, não estava? Era tudo uma questão de tempo até os ventos de Norte se abaterem sobre nós, gélidos e bruscos, tirando todas as nossas coisas dos seus lugares certos.

Mas lá está. Nem no meio de toda esta confusão que, outrora, eram as nossas vidas tão facilmente encaixadas uma na outra, eu quero desistir de tentar - contigo. Eu não quero nunca desistir de nós, por mais tempestades e monções que se metam no nosso caminho. Porque lá está: amar(-me) nunca seria fácil; e amar(-te) nunca poderia ser fácil. Porque eu sou um peixe de mares bravos, e tu, um de oceanos vastos e profundos. Então, e depois? Eu não quero desistir de ti… Eu bem te avisei que conseguia ser mais teimosa que tu, mas tu não ligaste nenhuma.


Sou uma mulher daquelas. Que acredita a pés juntos de que o amor pede que insistamos; pede que lutemos com unhas e dentes, por alguém que sabemos valer tanto a pena. O problema é que eu não posso (jamais) voltar a ser aquela mulher de que te falei: a que insiste em lutar sozinha. Eu não quero desistir de ti, juro-te por tudo. Mas és tu quem tem de decidir o mesmo. É aquela escolha ingrata que mete quaisquer apaixonados à prova… É essa a escolha que separa os homens dos meninos; os desistentes dos corajosos; os tolos que não valem de nada, e os tolos que valem de muito.

Eu bem te avisei que nunca nada seria fácil para nós. Como poderia ser? Eu sou o porto seguro, mas caótico, aonde, nos meus braços, encontraste o lar que nunca tiveras antes. E tu? Tu és um pássaro de asas bem longas, cuja vida passa por vaguear sem rumo. Então, e depois? Eu não quero desistir de ti na mesma. Porque se o amor me ensinou algo, outrora, é que nunca existirão duas pessoas perfeitas uma para a outra. Mas sim, duas que escolhem sempre continuar, por mais difícil que tudo se torne. E eu acredito que tu e eu conseguimos sê-las.


E eu espero que tu também acredites nisso, com a mesma força que eu. Aguardo a tua decisão, porque amar, por vezes, transforma-se em espera. E esperar nunca me valeu tanto a pena, como me vale esperar por ti… No entanto, e se o amor me ensinou algo, outrora, é que ninguém merece ficar à espera para sempre. Não me deixes neste abismo, está bem? Eu não mereço passar por isso… Por favor, não tornes num erro o quanto te quero ver voltar.

terça-feira, janeiro 05, 2016

CARTA AO HOMEM QUE QUIS DE VOLTA


Olá… Então, já não te lembras de mim? Não faz mal, posso sempre voltar a apresentar-me. Afinal, fui a tal que mais gastou palavras (e tempo) em ti. Porque não voltar a fazê-lo, uma última e derradeira vez? Engraçado, não é? Disse-te isto tantas, mas tantas vezes… Lembras-te sequer de quantas vezes foram essas? Vezes, essas, em que falámos de um fim que nunca mais chegava? Quem diria… Esse fim chegou quanto menos esperávamos. Ou, quiçá, fui a única que não estava à espera.

Eu fui a primeira mulher que se entregou a ti de corpo e alma. E, ao mesmo tempo, a primeira a quem te entregaste, por mais que o negasses a meio mundo. Eu fui aquela que te apresentou a palavra ‘amor’, por mais que dissesses aos teus amigos que eu era apenas “a tal que só te chateava até à exaustão”. Eu fui quem, do teu lado, superou discussões, aceitou defeitos e concedeu oportunidades, só para que pudéssemos ficar juntos. Para os outros, no entanto, nunca passei daquela que simplesmente não te sabia deixar em paz.


Então, já te lembras de mim? Eu, aquela que te amou, até nos momentos em que mais te odiavas - e eram tantos… Eu, aquela que te beijou à chuva, por mais frios me gelassem os ossos. Eu, aquela que deixou o mundo de parte, e a si mesma, só para poder fazer parte de ti. Sim, porque, afinal, nunca sequer me soubeste amar por inteiro; e muito menos entregares-te por completo. Mas eu contentava-me, porque lá está… Eu fui aquela que não pedia por mais, por sempre ter acreditado que tu eras o melhor que eu alguma vez poderia ter.

Mas essa, a mulher que eu fui, já lá vai. Ficou do outro lado das paredes, a perder-se na amargura e na dor de te ter perdido. E a afogar-se nas mágoas desesperantes, e a corroer-se nas feridas causadas por todas as batalhas que lutara por ti - e que nunca lhe serviram de nada. Essa tal mulher ficou lá atrás, a chorar desalmadamente por pensar que te tinha perdido para sempre… Agora? Agora sou a mulher que sabe que, afinal, foste tu quem me deixou escapar.

Na verdade, eu nem quero que te lembres de mim, porque tu já nem me conheces. Não foi só o meu penteado que mudou, e muito menos as minhas bandas predilectas, ou a forma como me visto. Não. E eu sei que tu nunca acreditaste que as pessoas mudam, mas acredita em mim (ou então não acredites, tanto me faz): eu não sou mais aquela mulher que te amou, mais a ti do que a ela mesma. Eu cresci tanto, a partir do momento em que a tua perda se transformou nas lições que eu tanto precisava de aprender. De que o amor jamais nos deixa livres de nós mesmos. De que o amor jamais pede que lutemos sozinhos. E de que amar nunca deveria doer tanto, e me deixar sem nada, como foi amar-te a ti.


Quis tanto ver-te voltar… Até te falava dos dias e das noites que passei, a desejar-te. A querer-te. E a massacrar-me por entre dúvidas mais despenteadas que os meus cabelos. Mas tu não mereces saber. Afinal, a obcecada sempre fora eu. A que insistia em não seguir em frente. A culpa era toda minha, não era? E esquecer-te deveria ter sido tão fácil como foi para ti esqueceres-me. Enfim… Nunca paraste um segundo que fosse para tentares compreender-me. E porque haverias? És uma criança que só quer tudo de bandeja. Pois, deixa-me dizer-te: tu não vales a pena. E eu mereço alguém que esteja disposto a lutar por mim. 

Espero realmente que sejas feliz. Não digo isto para soar gracioso ou altruísta. Antes pelo contrário. Eu espero mesmo que tu, um dia, ames tanto alguém como eu te amei a ti. Que te tornes capaz de ir tão longe por alguém, como eu fui por ti. E que, quem sabe, um dia, te encontres do meu lado, a dares tudo de ti a quem nunca achará suficiente. Até lá… sê feliz com esse alguém… como, um dia, eu também fui contigo.

Sabes qual é a melhor parte de quebrares completamente e seres deixada como que sem nada? É a oportunidade de poderes começar de novo. Eu… Aquela que não se imaginava sem ti. Agora? Agora não imagino outra coisa.

segunda-feira, janeiro 04, 2016

TENHO SAUDADES TUAS, SABIAS?


Tenho saudades tuas, sabias? Eu sei que as sabes. E eu sei que também as sentes.

E isto é tudo tão novo para mim, porque sempre fui eu a que sentia a falta toda - sozinha. Porque era sempre eu quem lutava contra o tempo e contra a distância - sozinha. Agora? Agora não estou mais só, e isto é tudo tão novo para mim… Que já há tanto me habituara à solidão.

Quero falar de ti ao mundo. Mas, antes disso, quero percorrê-lo contigo. De dedos entrelaçados aos meus, enquanto viajamos sem destino algum. Porque perder-me nos teus braços será sempre a melhor perdição e o melhor dos encontros. Porque render-me aos teus lábios nunca saberia a derrota. Porque tu sempre quiseste dar-me até mais do que tens. E isso é tudo tão novo para mim… Que já há tanto me habituara a ser sempre deixada sem nada.

Tenho saudades dos passeios pelas ruas infindas e imundas da cidade, meu amor. Tenho saudades do teu olhar de encanto, sempre que me olhavas de soslaio, para que eu não notasse - nunca tiveste muito jeito para o disfarce - de todo. E nem sabes o quanto admiro isso em ti. Essa tua incapacidade de esconderes-te de mim. Alicerçada à minha incapacidade de fugir-te. E como poderia eu fugir de ti? Tenho tantas saudades tuas, sabias?


Encontrar-te foi como abrir um daqueles livros antigos que tanto gostamos de folhear, e aperceber-me que este está completamente repleto de páginas em branco. Sem quaisquer resmas de tinta na superfície das folhas. Não existe qualquer paginação, nem capítulos separáveis ou pontos parágrafos, e muito menos regras gramaticais. Apenas esta sucessão de nuvens brancas e opacas que sentimos com as pontas dos nossos dedos. Onde ambos existimos e vivemos uma história fluída e livre, sem qualquer intenção de rever as páginas que estão para trás. E as que estão pela frente, encaramo-las como milhares de possibilidades que nos esperam, seja onde for; seja como for; seja com quem for; seja quando for. Neste livro, podemos deitar-nos na cama, um ao lado do outro, e sussurrar histórias até ao sol espreitar por detrás das persianas.

Neste mundo, passeamos pelas avenidas de braço dado e rimos de vozes erguidas ao céu. Neste local, - o ponto onde ambos os nossos corações se cruzaram, sei lá eu como -, inventamos prosas e poesias, trocamos segredos e criamos romances que não precisam de ser em Paris, nem em Londres. Aqui, jorramos as nossas lágrimas nos braços um do outro, discutimos sobre o amor por entre cervejas baratas e ainda passamos uma viagem pela auto-estrada em silêncio e a pensar como gostaríamos que a viagem pudesse ser mais longa. Neste livro, somos o mais reais, livres e genuínos que poderíamos ser ao lado de alguém.


E o tempo passou por nós… Ai, se passou… E foi tão bom poder saborear o escassear das horas contigo. Como foi dolorosamente gratificante poder ver o tempo a esvair-se por entre os nossos dedos enquanto andávamos de mãos dadas. Como foi tragicamente mágico sentir o tempo que tínhamos a esgotar-se, ao mesmo tempo que te sentia adormecer ao meu lado. Como foi tão terrivelmente bom ter de contemplar-te e saborear-te ao máximo, por saber que jamais serias certo de ficar. E, por fim, o quão abençoada foi a maldição de ter de venerar cada uma das horas que passei contigo, mesmo sabendo que cada uma delas te afastava cada vez mais… Ai, se afastou…

Não podias estar mais longe… nem mais perto… do que estás. Tenho saudades tuas, sabias?