P de Perder.

Perder-mo-nos de alguém é como nos perdermos numa estrada qualquer, onde nunca tínhamos estado antes. Estávamos tão convencidos de que estávamos a seguir o caminho certo, que levámos demasiado tempo a apercerbo-mo-nos de que, algures lá atrás, escolhemos a saída errada. Mas qual? Raramente nos lembramos disso mesmo. Ao darmos por nós, já nem fazemos a mínima ideia onde estamos exactamente (…) 

Eu sei que nos perdermos algures lá atrás. Não sei bem eu quando, ou onde, ou porquê - nem quero realmente saber. Só quero que tu me expliques… Por favor, explica-me… Explica-me como é que te foi tão fácil simplesmente seguir caminho sem mim, e não voltar? (…) 

A diferença de nos perdermos de alguém e de nos perdermos na estrada, é que não existem quaisquer mapas, ou alguém a quem possamos pedir indicações. Não. Só podemos contar com nós mesmos e com a terrível e lancinante Dúvida: será que essa pessoa alguma vez voltará ao nosso encontro? E ai, como me arde no peito ao aperceber-me que a incerteza do teu regresso, se está a tornar na realidade da tua ausência.

Como é que foste capaz de me deixar aqui, sozinha, sob a tempestade, com nada, a não ser as roupas que trago vestidas, o amargo sabor a promessas quebradas à flor da minha pele e o rasto queimado dos pneus ainda a ferver no alcatrão? (…)

Aquando da tua ida, levaste-me tanto. Inclusive, o tal coração com que tanto te preocupaste em polir, em acariciar, em amar… para, agora, me deixares com nada mais que um buraco negro no âmago do meu peito, onde tanto te encostavas naquelas noites frias de Inverno.

Já deveria saber que não bastava eu amar-te para ficar à tua espera, porque a questão nunca fora essa… Tu simplesmente nunca me amaste sequer, pelo menos não o suficiente, para voltares.


1 mixed words:

  1. =/ So sad... Suponho q as vezes o amor não seja suficiente..

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LADY WRITER

Eu tenho um sonho. Um sonho que realizo todos os dias: escrever. Agora, também tenho um objectivo: ser escritora. Quiçá, um dia terei o meu nome em capas duras, espalhadas por prateleiras. Até à obra nascer, hei-de sonhar. CONTACTO: imdanierose@gmail.com