sábado, fevereiro 26, 2011

"Espelho meu (…)"

- fotografia por: daniela rosa @

Ela não gostava de se ver no espelho. Para quê? Todos os dias tinha o mesmo aspecto; os mesmos olhos e tudo o resto no mesmo sítio. Deparar-se com o seu Reflexo era algo que evitava sem sequer se aperceber; um hábito como nos calçarmos antes de sair para a rua. Simplesmente prosseguia em frente, agindo como se este nem estivesse lá, bem marcado na superfície lancinante do espelho pendurado imperativamente na parede do seu quarto.

O seu peito enchia-se de vazio, tal como o seu estômago, completamente incapaz de digerir todas as verdades cruas da sua nova realidade. E era por isso que se encontrava sempre fraca, como que desfalecendo a cada passo que executava. Tal como não procurava por alimento, também não buscava por forças… Para quê? Se tudo isso se acaba por esgotar, a determinado momento, sem qualquer aviso prévio? Ela não conseguia suportar tal sensação, portanto deixava-se estar numa estável sensação de impreenchimento, agarrando-se com garras e dentes àquela regularidade.

Lembrava-se do último dia em que se vira, reflectida no espelho retrovisor do carro. Ainda se lembra daquela imagem… Uma rapariga com olhos vagos, fechados e profundos. Olhos típicos de quem já viu e abarcou um mundo inteiro, e que, de súbito, o viu dissipar-se, mesmo em frente aos seus olhos, demasiado rapidamente para sequer o poder impedir. 

"If people are conditional, how can we expect them to have unconditional feelings for us?", by Jennifer Abrantes.



Nunca pensei que alguma vez fosse escrever de ti desta maneira. Mas vejo-me obrigada a tal. A verdade é que tu foste daquelas pessoas que eu cheguei a considerar, durante muitos anos, como uma espécie de constante na minha vida, simplesmente porque estavas constantemente lá, automaticamente, porque fazia parte tanto de ti, como de mim. Porém, e nem sei bem como, nem porquê, alguma peça qualquer acabou por sair do lugar, pois deixámos de possuir aquele encaixe instantâneo, tão típico de nós. 

E eu decidi que não vou assumir ou atribuir culpas, porque, na verdade, não existem constantes ou incondicionais na nossa vida. Apenas um número incontável de partículas que, todas juntas, formam tudo o que se vê e sente; partículas essas que, à medida que o tempo se desenrola, se vão dissipando simplesmente, sem que possamos fazer nada para o impedir. Bem que podemos tentar agarrar o mais rápido ou forte que conseguirmos… Mas as forças da gravidade e da realidade sobrepõem-se sempre. Por mais que nos custe a admitir ou a aceitar.

Sinceramente, neste momento, não sei o que faça em relação a ti. 
E a minha avó sempre me disse: "Quando não se sabe o que fazer, fica-se quieto" e, de facto, será essa a minha próxima acção.

Talvez, um dia, acordes e te apercebas de que quem esteve realmente sempre cá fui eu. 

Amigo?

Tu querias. Mas querer não basta, right?

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Posso fazer-te uma pergunta?

- O que é que devo fazer, quando simplesmente me apetecer falar contigo?

terça-feira, fevereiro 22, 2011

This is me… Letting go.

- fotografia por: Daniela Rosa @

Às vezes duvido ter forças suficientes para continuar...

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Haverá algo mais belo que a Vida?…

Penso que, ultimamente, tenho (re)aprendido imensas lições que há muito esquecera… Como, por exemplo, agarrar-me unicamente àquilo que tenho realmente, nunca me deixando (des)iludir por aquilo que poderia vir a ter… Foi esse um dos enormes erros que cometi, nos últimos tempos. Obviamente que não estou a dizer que não devemos lutar pelos nossos sonhos - jamais o diria -, contudo, em certas situações, temos de saber quando havemos de parar de fazê-lo: ao estarmos demasiado feridos de todas as maneiras para sequer conseguirmos continuar em frente. (…) "Nunca desistir"? Recentemente apercebi-me de que já nem se tratava disso mais. Era simplesmente eu, a forçar e a investir nalgo que não me era (mais) alcançável, teimosamente nadando contra a corrente, constantemente correndo o risco de me afogar. 

Cansei-me… E agora parto numa nova jornada, trazendo comigo tudo aquilo que tenho, e nada mais. E, pensando bem, isso basta-me. Estas pessoas que me rodeiam e que tanto me apoiam e adoram por tudo aquilo que sou e anseio; estas circunstâncias felizes e estáveis que me abarcam, no dia-a-dia e o meu lar que tanto me conforta e integra… São tudo o que preciso, neste momento. 

E assim serei feliz.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

& that's why love feels like a battlefield.


Era uma vez um soldado que partira para a guerra, há muito tempo… Estava decidido a dar tudo de si no campo de batalha, persistindo incansavelmente e sem nunca desistir. Isto porque acreditava no que estaria a defender; acreditava em todas as razões por que lutava. Acreditava em si mesmo e, assim, partiu, seguro de tudo; do seu destino. Mas os tempos foram passando… As defesas iam tombando e já não haviam armas na sua posse, pelo que se viu obrigado a lutar com as suas próprias mãos. E assim foram os tempos que se seguiram: esbracejando e pontapeando em todas as direcções, sem nunca parar, e negando o temível facto de que - talvez - estaria na altura de parar. Não queria encarar essa realidade. Não! Não, que ainda tinha muitas forças; muito por que lutar… Uns, acreditaram veemente que ele conseguiria vencer tal guerra, face a tamanho esforço e persistência. Outros, achavam-no demasiado ingénuo e que, um dia, isso iria ser-lhe fatal. Porém, a única verdade absoluta era que o soldado continuava lá fora, sozinho… A travar uma batalha que muitos já consideravam completamente vã. (…)

Eu adoraria dizer-vos que aquele soldado saiu como um autêntico vencedor, daquela Guerra, que tanto tempo durou… Mas estaria a mentir-vos. O soldado não ganhou, mas também não desistiu. Apenas reconheceu que estava varrido de forças e despido de motivos para continuar… Apercebeu-se de que tal batalha só havia servido para lhe desgastar a fé e a crença no destino; até lhe deixar sem nada… Apenas um reflexo esbatido seu no espelho retrovisor. 

Assim, partiu rumo a casa.

Porém… De tanto tempo que estivera na guerra, já nem se recordava do caminho de volta.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Working my way to the top.


Digamos que me meti numa jornada que consiste em tirar tudo o que me põe embaixo, p'ra fora do meu caminho. Sempre em frente é agora o único rumo que sigo. E acreditem que, para a Vida que quero, não existem nem atalhos, nem desvios. Estou de olhos fechados para tudo o que me antecede; para tudo o que deixei p'ra trás. A partir do momento corrente, mantenho-me de olhos abertos para aquilo que me aparece de frente, sempre de braços também abertos àquilo que pode vir, um dia, na minha direcção.

domingo, fevereiro 13, 2011

Mas não te preocupes… Que não é por muito mais tempo.

E quanto te perguntei, "Tens mais alguma coisa que me pertença?", uma voz quase que imperceptível soou ao meu ouvido num murmúrio, dizendo: "O teu coração…". Claro que tais palavras haviam sido um completo devaneio criado pela minha - sempre tão fértil - imaginação. 

Porque eu já sei qual o passo a seguir.


Não vou entristecer. Não me perder a pensar no que poderia ter acontecido, e não aconteceu. Nenhuma lágrima será derramada pelos meus olhos, de novo! Para quê, tendo eu ínfimas razões para sorrir ao Mundo que me abarca?! Cansada já eu estou de desperdiçar o meu tempo em sonhos cansativos; desejos irrealizáveis; pensamentos repetitivos e desgastantes; choros mudos, e de me alimentar de suposições vãs que nunca levam ninguém a lado nenhum, a não ser à loucura. Tenho tanto por que ocupar o tempo! Uma família que me ama por tudo o que eu sou e imensos amigos que, venha a tempestade que vier, jamais se demovem de junto de mim. Tenho um Presente tão sorridente e agora só quero conhecê-lo melhor! 

Quero conhecer novas pessoas e cativar ainda mais as tantas que tenho do meu lado. Quero explorar novos sítios e novas sensações; novas misturas de sentimentos e de momentos. Quero aprender a cozinhar e ler muitos, muitos livros! Quero sair para todas as festas que vierem e divertir-me como se o Mundo fosse acabar no dia seguinte! Quero estudar e ser bem sucedida, já que tenho tudo ao meu alcance para o ser! Quero percorrer caminhos que jamais pensara percorrer; quero desbravar florestas virgens! Quero descobrir lados em mim que desconhecia ter; um lado inovador, confiante e ambicioso! Quero ter conversas infindáveis e cada vez mais interessantes com imensa gente, e ouvir todo o tipo de música, até me doerem os ouvidos! Quero amar e dizer que amo; beijar e abraçar, como se a minha vida dependesse disso! 

Quero voltar a ser livre.
E por mais que me custe a admitir… 
Não consigo sê-lo contigo constantemente na minha cabeça… E no coração.

foste do melhor que me podia ter acontecido.
obrigada por me teres ensinado a amar e a viver;
e por me teres guiado e me mostrado o mundo

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Querido, eu não quero mais saber de ti… Mas agora é de vez.

Se sei para onde vou?! Não, não faço a mais pequena ideia!  

Mas, realmente, neste momento, qualquer lugar longe de ti parece-me perfeito.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

"but I'm thinking of what Sarah said…"


LOVE IS WATCHING SOMEONE DIE
so who's gonna watch you die?

Tu não tens a noção de ti e perdeste a noção de mim. Tu não tens noção do que tens, de quem és, de quem sou para ti, tu perdeste a noção de quem gosta de ti.


E sim, é verdade que dou demasiada importância ao Passado.
Isto por uma simples razão. Porque, ao olhar para o momento que decorre - para o Presente -, não te vejo em lado nenhum, por mais que busque e procure por toda a parte. Enquanto que, outrora, eras os meus dias, as minhas noites; o meu espaço, todos os instantes; os passos e os caminhos; os pensamentos e os sonhos. O que és agora? O sinónimo de Passado, e nada mais. Foi nisso que te tornaste. E é por isso que não consigo deixá-lo para trás, como uma folha de jornal velha a voar ao vento. O Passado és tu. E eu ainda não estou preparada para virar costas à única coisa que me restou de ti. De nós. E da pessoa que eu era ao teu lado.

"Eu não acredito que as pessoas mudam…"

Parece-me que não te tens olhado ao espelho ultimamente. 

"Nós".

E à medida que assisto parada, enquanto tal pronome cai, assim, inesperadamente, da tua boca, fico sem sequer saber o que hei-de te dizer. Portanto, não digo nada. Permaneço, aqui, bloqueada, apenas saboreando o sabor agridoce de tal palavra que, de alguma forma, ainda me aquece o coração; ainda me canta nos ouvidos. Já há tanto tempo que não a ouvia, vinda de ti.   

Soube bem. Não sei porquê, nem como. 

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Ain't no sunshine when (s)he's gone (…)


Hoje apercebi-me de que já nem dói tanto… Mas eu mentiria se vos dissesse que já me é quase que indolor. Pois, na verdade, as saudades nem sequer se apaziguaram… Nada disso: ainda aqui estão, no meu âmago plantadas e com as raízes bem assentes. Apenas aprendi a sustê-las; a lidar com a sua constante presença em mim. Nem sei se tal conformidade é boa ou não…

Mas tento não pensar muito nisso.

Só sei é que já não dói tanto, como outrora. Lembro-me bem que, antes, sempre que passavas - por mais fugazmente que fosse - era como se um enorme pedaço de mim me fosse arrancado. E depois doía: uma dor lancinante à volta do peito. E esses pedaços que eu ia perdendo não voltavam… Basicamente, estava encurralada numa jornada de espera - até que eu ficasse reduzida a um nada que nada sente; que nada expressa. Agora é mais uma comichão desconfortável no estômago; um nó na garganta - nada que não se suporte.

E eu gostava mesmo que fosse doutra maneira… Mas já lá vai o tempo em que a realidade era aquilo que devia ser; que fazia sentido. Agora, apenas é como é, e pronto. Não a entendemos e não há ninguém que no-la explique. Contudo, não há outro remédio se não seguir com ela, mesmo que absolutamente nada bata certo.

I may have failed, but I have loved you from the start.

Failure is always the best way to learn.

uma lição de mim, para vocês

Devemos ser pacientes para com os assuntos por resolver do nosso coração e, enquanto as respostas não vêm, devemos viver as questões. Afinal, o objectivo, no fundo, é viver tudo.