quarta-feira, dezembro 18, 2013

Escrevi isto a pensar em ti (e é só).

Amar alguém nunca foi fácil. Disse isto a mim própria tantas vezes, enquanto chorava e mesmo enquanto ria. E foste tu quem me ensinou assim. Dizias-me sempre, tanto nos dias bons, como nos dias maus: "Nós não somos, nem nunca seremos um Amor fácil, porque não somos pessoas desse tipo". E eu sorria. Sorria para dentro do meu coração quente, porque me fazias sentir amada, por mais difícil que fosse; por mais que, em momentos, me fizesses chorar e gritar em plenos pulmões. 

Amar-te nunca foi fácil e sempre me tirou mais do que me deu - assim dizia o Mundo em volta, ao olhar para mim: desgastada pela dor, amedrontada por te poder perder. Mas eu nunca olhei para nós assim. Tudo o que ganhava do teu lado, parecia-me compensar sempre toda a dor. todas as lágrimas. todos os medos. Ter-te do meu lado bastava-me: a amar-me e a criticar-me, ao mesmo tempo. Sempre fora assim.

E, no entanto, quando um Amor desses acaba... não acaba simplesmente. Fica aqui, bem junto ao coração, desenhado à flor do meu peito, em forma de cicatrizes. Estas tuas marcas que contam a maior história que alguma vez conheci. 

- Não somos nenhum conto de fadas. Não te iludas. - dizias-me, abraçado a mim. 
- Pelo contrário. Somos um conto de falhas... E são essas a melhor parte. - respondia-te. 


Fomos construindo um daqueles tipos de Amor que mais parecem um campo de batalha. Eu atirava-te com as minhas palavras, e tu com as tuas atitudes. Haviam tempos em que tínhamos tudo para dar um ao outro... Contudo, até nos momentos em que não podíamos ter as algibeiras mais vazias, éramos capazes de manter-nos abraços e despidos, só para não nos deixarmos perder um do outro.

E quando nos perdíamos? Voltávamos sempre. Levasse o tempo que levasse. Voltávamos sempre ao nosso canto, às nossas noites e ao nosso pequeno grande Mundo onde ninguém entrava. Sofríamos de um egoísmo crónico, e amava-mo-nos assim, dessa mesma maneira. Mesmo que nos faltassem armas. Mesmo que nos faltassem razões para lutar. (...) 

Amar alguém nunca foi tão difícil, como foi amar-te a ti. E eu já amei além de ti. E tu além de mim. E, no entanto... cá estamos, sempre a amar-nos aos poucos e aos momentos. Dói, sim. Mas bastava um gesto teu - por mais pequeno - para me compensar. Talvez até era assim que o nosso "difícil" se tornava mais fácil. Ou talvez só dizia isto a mim mesma para me fazer sentir melhor...

De qualquer das maneiras, sinto-me feliz. Magoada, mas feliz. Porque te amo. Porque continuo a amar-te. Porque sou forte a esse ponto. A amar-te, por mais que me destrua. 

E então? Amar-te também é a única coisa que me salva. 

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Corações deixados em pedaços.


É aquela sensação de não pertencer (mais) a lado nenhum, ou ao lado de quem quer que seja. Os dias, que outrora tanto gostávamos de ver chegar, tornam-se demasiado longos e demasiado cinzentos para se suportar. O Sol brilha, mas chove cá dentro, neste sítio, outrora tão morno e preenchido, que subitamente ficou deixado no vazio.

É aquela sensação de não saber o que fazer. Em que pensar. O que dizer. Porque, na verdade, não há nada que nos apeteça. E todos os pensamentos levam ao mesmo beco sem saída. E nada do que possamos dizer vai poder mudar o fim daquele Mundo que tanto amávamos... e com certeza não trará de volta a pessoa que nos significava tudo, outrora. 

E tu choras. Choras, porque parece ser a única maneira de conseguires apaziguar esse aperto agudo que te azucrina no peito; que te corta a respiração. E soluças. Soluças, porque é demais para ti. Não tens quaisquer forças. E só consegues fechar os olhos e desejar acordar desse pesadelo que, agora, é a tua realidade. Essa, de que tanto queres, e ao mesmo tempo, sentes não poder fugir. 

Perdeste-o(a). Aquele(a), que outrora tanto te fez (sor)rir. Que te fazia cócegas até te deixar sem fôlego. Que via filmes abraçado(a) a ti e com os braços à tua volta. Que te preenchia os dias de cor e as noites de luz. Agora? É tudo tão escuro e tão a preto e branco, que já quase começas a pensar que todos esses momentos felizes que tanto recordas com Saudade não passaram de uma mera ilusão. De uma miragem. 

Abraças o teu próprio corpo, porque sabes que mais ninguém o poderá fazer. Mas não te sentes melhor. Porque tu sabes que essa pessoa não te voltará a abraçar de novo. Tu sabes que ela não vai voltar. E isso magoa. Tortura. Quase que mata, não é? 

Eu sei. Todos sabemos como é. 
É um coração partido.

sábado, novembro 23, 2013

O "Desculpa-me" que nunca veio de ti (Já nem vale a pena).

Queres saber uma coisa (que já te disse, outrora)? Não me arrependo de nada no que toca a nós dois. Mas então e todas as mágoas que plantaste em mim – essas que ainda me ardem à flor da minha pele; e que a deixaram tão ferida, áspera, com um medo absurdo de qualquer toque? Foi isso que deixaste para trás, aquando da tua ida. 

E sabes o que me magoa mais, no meio disso tudo? Tu nunca me pediste desculpa. Nunca! Simplesmente deixavas cá a tua marca fincada – sem qualquer piedade – e partias, deixando-me a sangrar sozinha. A curar as minhas próprias feridas. E, depois de o conseguir fazer; depois de cicatrizarem, tu, aí, voltavas, como se nem se passasse nada. Mas a culpa foi minha, porque eu sempre te deixei. Nunca te fechei a porta, apesar de ter dito a mim mesma, incontáveis vezes, que seria desta! Que, desta vez, seria de vez. Mas nunca era... nunca. 

E eu esperei... como sempre fiz, no que tocava a ti. Dava-te todo o tempo do mundo, sempre com a esperança de que, quiçá, a tua consciência ia guiar-te para junto de mim, com um “perdoa-me” nos bolsos. Mas tu chegavas sempre sem nada, exactamente como tinhas partido.

Por todas as mensagens que ignoraste. Por todos os meus textos que nem te deste ao trabalho de compreender. Por todas as vezes em que te confessava o que me doía, e tu desviavas o olhar, por não seres homem o suficiente para encarar a merda que fizeras de frente. Por todas as noites que passei em branco, porque decidiras afastar-te de mim, sem qualquer justificação. Por todas as alturas em que me disseste que me amavas, só para levar-me para a cama (avisavam-me os meus amigos). Por aquele dia – que jamais esquecerei -, quando eu mais precisei de ti e tu decidiste nem aparecer, para ires almoçar com os teus amigos. Por aquela noite, em que cometeste o maior crime de todos, e que tanto escondeste de mim (que cobarde mentiroso!).

E eu que tanto te defendi de toda a gente, até de mim mesma! E eu que tanto acreditei em cada uma das tuas palavras, mesmo quando todas as tuas atitudes apontavam um rumo completamente contrário! E eu que tanto fui ao teu encontro, simplesmente porque sabia que precisavas de um ombro amigo e, ao mesmo tempo, de um corpo que se deitasse ao teu lado, e que fizesse amor contigo. Mas não era isso que fazíamos, pois não? Não era amor. Era apenas uma distracção para a tua solidão, não era? 

Deixei de esperar pelo teu pedido de desculpas, porque finalmente me apercebi que tu nunca foste homem o suficiente para o fazer. E, no entanto, deixaste-me a ter de ser a grande mulher que perdoa, e perdoa... sempre. Por não te querer perder. Por não querer que te perdesses de ti mesmo.

Gostava que, um dia, crescesses e te apercebesses que nunca nenhuma rapariga te amará o suficiente ao ponto de ir onde eu fui por ti. De cair como eu caí por ti. De perdoar e te receber nos braços, apesar de qualquer coisa, como eu fiz por ti, tantas vezes – demasiadas para contar. Espero mesmo que um dia te apercebas disso.

E espero, também, que, nesse mesmo dia, eu esteja nos braços e no coração de um homem que saiba realmente fazer-me feliz – o homem que tu nunca conseguiste ser, apesar de todas as oportunidades e de todo o tempo que te dei para que conseguisses.

domingo, novembro 03, 2013

Olha-te ao espelho.

Olha-te ao espelho. Não gostas do que vês, pois não?

E depois, tu perguntas-te: “os meus olhos foram sempre assim tão baços e distantes? E a minha pele, foi sempre assim tão pálida? E o meu sorriso... há quanto tempo é que nem é isso, de todo?”. E tu não te consegues lembrar bem. Desde quando é que te foste abaixo? Desde quando é que te tornaste nesse vulto ausente, de olhar choroso e magoado, de mãos vazias?

E depois, tu pensas: “como é que eu era antes de tudo isto? Da dor. Da decepção. Antes da solidão se ter entranhado por completo no âmago do meu peito?”. E nem disso te lembras, também. Parece que foi há imenso tempo, não parece?

Olhas-te ao espelho e não vês (mais) alguém capaz de amar (ou de ser amada). Agarras as tuas mãos e estão tão frias, por carência de afecto e de calor. Leva-las ao teu peito e não sentes nada. E já há tanto tempo que assim o é... um nada no coração; um vazio imenso no olhar; um silêncio apaziguado por choros sussurrados de madrugada, longe de toda a gente.


Tentas esboçar o que mais se aproxima de um sorriso e sais à rua. E, aí, as pessoas perguntam-te como estás. Como anda a tua vida. Se tens novidades para contar. E tu, aí, “sorris” (tentas), e respondes que sim. Que tudo te corre bem e que não há nada de novo. Encolhes os ombros e segues viagem, enquanto uma vozinha na tua consciência te chega e te diz: “porque mentes tanto a ti mesma e aos outros?”, mas tu não lhe respondes. O que é que poderias tu dizer?

Simplesmente... Não me sinto boa o suficiente para nada. Para ninguém”, diz a tal vozinha – a responder por ti -, para a escuridão que é o teu coração quebrado, soando em eco, de tão deserto que está.

Tu pensas que estás a olhar-te ao espelho, mas não estás. Essa pessoa, que te aparece, não és tu; é apenas um reflexo magoado e ferido pelo tempo, neste momento. Mas tu és mais do que isso. Tens de dizer a ti própria, uma e outra vez: tu és mais do que isto. Até que acredites. Até que te comece a soar bem. Até se tornar verdade.

Porque se tu não acreditares nas tuas palavras, como poderá alguém acreditar em ti?
E se tu não amares o que vês, no espelho... como poderá alguém amar-te assim?

sábado, novembro 02, 2013

Ser-se dos Açores é ter Saudade.


Ser dos Açores significa mais do que ser-se de uma ilha; significa pertencer a um grupo. A uma realidade que tão poucos têm o privilégio de viver. Ser dos Açores significa mais do que ter um sotaque diferente e expressões engraçadas, como ‘blica’, ‘gama’ ou ‘passar o mapa’. Ser dos Açores significa mais do que comer inhames com linguiça ou torresmos, ou ter o mar sempre ao alcance da vista. Ser dos Açores significa mais do que saber a vida de toda a gente da nossa freguesia. 

Ser dos Açores significa ser grande, num sítio pequeno. Significa estar sempre perto da família e daqueles que querem o nosso bem. Significa Verões à beira da costa, ou na esplanada do nosso café favorito, com as nossas pessoas preferidas. É sentir a brisa do Oceano, mal saímos de casa. É acampar com os amigos, no meio de descampados e mato, em noites frescas, quando só o álcool e a música nos aquecem. É ter aquela infância de sonho, a correr de um lado para o outro, no meio de animais e de rochas, a apanhar peixes com o camaroeiro. É poder andar pela vila, de madrugada, sempre com sensação de segurança. É levar com furacões e, mesmo assim, sair para a rua. 

Mas também significa saudade. E quem conhece melhor a Saudade, do que um Açoriano que teve de abandonar o seu lar? (...) Significa, para muitos, a derradeira partida, rumo ao grande Continente. Significa despedir-se dos amigos, da família e dos lugares que já tão bem conhecíamos, para partir para o completo desconhecido.

Ser Açoriano significa, mais tarde ou mais cedo, ter de dizer ‘Adeus’... mas só por enquanto. Porque, mais tarde ou mais cedo, e mesmo que só por um bocadinho... acabamos sempre por lá voltar, para matar estas saudades gigantes que só um Açoriana as sabe.

- DANIELA ROSA

sexta-feira, novembro 01, 2013

Tudo está bem, quando "acaba" bem.

Passámos por muito – eu e tu. E contado, ninguém acreditaria. Lado a lado, vivemos a história dos nossos anos de pré e adolescência. Cometemos crimes. Fizemos as maiores tolices. Derramámos as mais dolorosas lágrimas e soltámos os mais amplos dos risos. Lado a lado, crescemos. Crescemos e tornámo-nos nas pessoas que somos hoje. 

Cada momento... cada discussão (e como foram tantas!)... cada mentira... cada abraço... cada música... cada palavra... Trouxe-nos ao agora. E nem sabes o quão feliz me encontro, por saber que, apesar de tudo – tudo mesmo -, ainda estamos juntos, no momento presente. 

Costuma-se dizer que existem dois tipos de pessoas que encontramos ao longo da vida: aquelas que nos servem de lição, e aquelas que ficam. Tu foste-as às duas, simultaneamente.


Ensinaste-me tanto, desde que me conheci. Mostraste-me como amar e – mais importante: como devo ser amada. E trouxeste ao de cima lados de mim, que eu nem sabia que existiam. Os bons, e os terríveis traços meus. Ensinaste-me como ser uma amiga. Como ser uma namorada. E como não me deixar levar pela escuridão. Foste as minhas cores, foste a minha luz, foste a minha perdição. Foste tudo o que alguém poderia ser. E, para mim, foste das melhores pessoas que alguma vez poderia ter encontrado.

Encontras-te feliz e, por isso, também eu estou. E por muito que digam que tu não o mereces, estão enganados. Ninguém merece mais isto do que tu: digo-te isto do fundo da minha alma e do meu coração. Talvez, um dia, quem sabe? Ainda vou ser aquela na primeira fila do teu casamento, com uma lágrima no olho, a tentar buscar o teu olhar nervoso. E quando olhasses para mim, eu sorriria com os olhos, como de quem te diz: “Estarei sempre aqui. Nunca duvides. E a tua felicidade é a minha também”. 

Tudo está bem, quando acaba bem... Mas nós (ainda) não acabámos, meu caro amigo. Ainda muito nos espera. Talvez até me atrevo a dizer-te que tudo acabou de começar. Uma fase nova e limpa, livre de rancores, de segredos e de mentiras. Só tu, eu e a nossa amizade. Um novo (re)começo. Merecemos, ambos, isso um do outro. 

Quando quiseres sorrir, sorrimos juntos. E chorar também. E se for para cair... Tens-me aqui, sempre, para amparar-te a queda. Tal como sempre foi. Tal como sempre deveria ser.

quinta-feira, outubro 24, 2013

"Era uma vez"... um Amigo Falso.


Já te disse que me irritas profundamente? Sim, já o fiz. Mas talvez nunca te disse o quanto me magoa pensar naqueles tempos em que te chamava de "melhor amigo". Que engraçado, não achas? Como podemos defender alguém, gostar de alguém e acreditar em alguém, até à exaustão, para, 'no fim', não nos valer de absolutamente nada. Nem sequer uma pontada de respeito (da tua parte). 

Ainda me lembro dos nossos dias passados a dois. Ríamo-nos tanto e de tudo. Abríamos os nossos corações um ao outro, mergulhados no aroma de cigarros pensativos e na melodia de ambas as nossas vozes. E tal como dois "melhores amigos" que éramos, fazíamos aquelas típicas juras de amizade... Juntos para sempre. Confiança acima de tudo. Sinceridade um para com o outro, a qualquer momento. 

Esqueceste-te de tudo o que me disseste, outrora, foi? Ou talvez fui eu que me esqueci, que tu não passas - e nunca passaste - de um malabarista de palavras: escondes-te nelas, vives delas e para elas, mas nunca as sentes sequer. Sempre disseste as coisas mais bonitas e, no entanto... onde está o significado das mesmas? No fundo do poço: esse, onde te encontras. Nesse, onde eu tanto te quis tirar. 

Eu quis salvar-te e mostrar-te que, de facto, existem pessoas que ficam na nossa vida para sempre. E eu queria mesmo ser uma delas, na tua vida. Agora? Agora quero-te longe de mim. Tu e essas tuas palavras, que nem um pedaço de pão valem. (Nem nunca valeram). 

Espero que sejas feliz sem mim a mostrar-te onde erras. A ouvir os teus desabafos repetitivos sobre nada e ninguém de importante. A guiar-te por esses corredores escuros e caminhos estreitos, onde sempre te enfias, sem qualquer noção. A acreditar em ti, quando mais ninguém o é capaz de fazer. Sim, espero que sejas feliz sem mim a ser tua amiga. Porque tu nunca o foste para mim. E mais nenhum perdão meu há-de ser gasto contigo.

Boa sorte para essa tua "vida", se é que se pode chamar isso. 
Mas para que é que hei-de manter um falso, que só me chama quando quer algo em troca, se tenho tanta gente verdadeira a aquecer-me o coração? 

segunda-feira, outubro 21, 2013

Quando se deixa de acreditar no Amor.



É tão difícil continuar a acreditar no Amor, quando já não o sentimos, há demasiado tempo. É quase como que nos perdermos em pleno deserto, faz quase uma Era, sempre com a esperança de encontrar aquele Oásis de que tanta gente fala... e, no entanto, nunca o voltámos a ver. Nunca lá chegamos, por mais que vagueemos por aí. De tempos a tempos, aparece-nos em miragem... mas quem é que consegue matar a sede, com algo que nem é real? (...)

Cresci acreditando que, todos nós, merecemos aquela felicidade pura que (só) o amor partilhado e genuíno nos traz. Cresci com contos de fadas que mostravam sempre uma rapariga solitária a encontrar o seu príncipe encantado e, juntos, viveriam "felizes para sempre". Mas o tempo fez-me crescer e abrir os olhos. E encarei a fria realidade de que, todos os dias, alguém padece de solidão tremenda. E que tanta gente falece sem nunca encontrar a sua "outra metade". E que continuo sozinha. 

Outrora, disseram-me que o Amor aparece, quando menos esperamos. E, acreditem: já há muito que deixei de esperar. Aliás, já nem sei bem se consigo acreditar que Ele alguma vez virá. E, se vier... como reconhecê-Lo, se nem faço ideia de como Ele parece? Será que escapei alguma oportunidade, sem sequer me aperceber que o fiz? Será que deixei a minha alma gémea passar, simplesmente por nem saber o que isso é? 

"Deixei de acreditar no Amor", pensei para mim mesma, para o silêncio típico do meu quarto e do meu coração. E ninguém me respondeu. Nunca ninguém me responde. E como hei-de acreditar no que quer que seja - em Deus, ou no Amor -, se nunca sequer recebo quaisquer tipos de respostas? Apenas silêncio. Puro e tremendo silêncio, capaz de ser cortado à faca. 

O meu coração sente-se tão incapaz de soletrar nomes, ou de bater mais depressa. Estagnado. Passivo. Virou apenas órgão que me bombeia o sangue e que me permite viver. Mas e o Amor, onde está? Já nem sinto, já nem existo. E de que me serve viver, se a vida só me sabe matar?

Dizem que é sempre melhor sentir dor... do que nada, de todo.

sábado, outubro 12, 2013

Porra, eu preciso de saber!


Nunca pensei que fosse voltar a ter uma recaída por ti. Mas acho que isso faz parte das 'recaídas de amor': acontecem quando menos esperamos; quando já pensávamos que estávamos realmente bem e já a seguir em frente. Como naqueles pesadelos em que nem sabemos bem se estamos a dormir, ou acordados, mas sentimo-nos a cair a pique. Acordamos, sobressaltados, na cama, com o coração aos saltos, como se fosse saltar fora do peito.

Eram três da manhã de sexta-feira, quando isso me aconteceu. Acordei, ofegante, e a suar compulsivamente. Levantei-me e fui buscar um copo de água. E depois, aí, lembrei-me de ti. E de todas as vezes que me fazias companhia nas minhas insónias, apesar de mal conseguires manter os olhos abertos. Ao dar por mim, estou a chorar, ajoelhada, no chão da cozinha, e a levar as mãos à cara: porque é que isto tinha de estar a acontecer?!

Queria ligar-te. Oh, como queria! Precisava de saber o que estavas a fazer, apesar de ser madrugada, e o mais certo seria estares a dormir. Mas e se não estivesses sozinho? Eu precisava de saber! E se, naquele mesmo momento, estivesses nos braços de outra, a afagar-lhe os cabelos com ela encostada ao teu peito, esse lugar que sempre fora meu? E se lhe estivesses a beijar a testa, como me fazias? Porra, só queria ligar-te e perguntar-te se já me havias substituído. "Substituído", como?, quando fui eu que te fiz ir embora? 

Liguei-te. E tu não atendeste. Chorei mais 10 minutos. Voltei a ligar-te. E, aí, atendeste, num sussurro, de quem acabara de acordar: "Porque raio me estás a ligar a esta hora?", perguntaste, com a tua voz tão típica de sono, que já tão bem conheço. "Estás sozinho?", perguntei, de volta. "Claro que estou, foda-se, já viste as horas?", respondeste, já a levantar o tom. "Não", apressei-me a dizer, a tentar disfarçar o choro e os nervos, "Quero saber se tens alguém na tua vida...". "Porque merda é que tu queres saber disso, a estas horas, Daniela?". "Porque preciso de saber", disse-te, e, oh, como me arrependi imediatamente. 

"Sim, tenho.", e o meu Mundo estremeceu. "E tu devias ir dormir", acrescentaste num bocejo. Afastei o telemóvel da boca e guinchei em silêncio, enquanto me perdia num pranto. É incrível, não é? Queremos tanto saber a verdade, mas nem sequer estamos prontos para recebê-la. "Daniela?", perguntaste-me. "Sim", disse-te, de seguida. "Estou bem", menti, "Só precisava de saber..."

"Vai ficar tudo bem", e desligaste. 

Voltei a deitar-me, com a certeza de que amanhã acordaria para um dia melhor. Eu apenas precisava de saber e agora sabia-o. Faz parte das recaídas: caímos, de novo, para nos levantarmos outra vez. E era apenas isso que eu podia fazer. Adormeci, nessa noite, abraçada a uma almofada e a imaginar que eras tu. E, nesse momento, jurei a mim mesma: que ia ficar bem. Por mim e apenas para mim. 

E que jamais iria ligar-te, na próxima recaída.

terça-feira, outubro 08, 2013

Morreste-me, à hora marcada.


O amor perde-se por uma coisa de nada... e muito dificilmente se volta a encontrar. 
E como poderíamos voltar atrás, ou repetir tudo... se já nem somos mais os mesmos?

Apercebo-me que relações de anos podem chegar ao fim numa questão de segundos: por um mero acto, por meras palavras. Como um castelo que com tanto carinho e atenção construíramos - pedra a pedra -, e que, face ao tremor de terra, rui à frente dos nossos próprios olhos, tarde demais para sequer o podermos impedir. Mal damos por isso. É tudo tão súbito, que só nos apercebemos de que o fim chegou, quando já só nos restam cacos espalhados pelo chão. (...) E não será essa a realidade mais dolorosa de todas? 

Durante tantos anos, amei-te em segredo. Amei-te sem sequer saber que te amava. Amei-te escondida por detrás de uma máscara de quem nem ama ninguém, e passado algum tempo quase que me convenci disso mesmo. (...) Mas os teus beijos puxavam-me sempre para trás e traziam-me sempre para a cruel realidade que nunca quis aceitar: eu amava-te com todos os centímetros do meu coração. E durante demasiado tempo inventei desculpas para não acreditar que tal seria suficiente.

O meu Amor por ti transformou-se numa espécie de paragem de autocarro, onde nos sentamos à espera que o que queremos apanhar chegue. E eu nem sequer me importava de esperar, por mais curto que fosse o percurso. E por mais saídas erradas que tomasse. E por mais turbulência que passasse. Valia a pena simplesmente por seres tu. Por seres a jornada que eu não me importava de repetir até ao fim dos meus dias. 

Amar-te tirou-me e deu-me tanto, que tu jamais conseguirás imaginar. Por mais que to diga. Por mais que to escreva. Mas eu nunca me importei, porque tu voltavas sempre... Era essa dor de te ver partir, misturada com a segurança de que irias vir ao meu encontro, que me fazia ficar. Sempre fora assim. O meu problema foi ter acreditado nisso mesmo: que o meu Amor por ti seria sempre o suficiente para te manter aqui. Mesmo que não te pudesse dar mais nada. (E não podia.)

Já não somos mais aquelas criancinhas de 15 anos - iludidas, ingénuas - que acreditavam ter todo o tempo do mundo; e todos os sonhos; e todas as oportunidades. Não. O tempo esgotou-se e jamais o teremos de volta. Os sonhos morreram, por nunca termos sequer lutado por eles. E as oportunidades já vão tão lá atrás, que já nem as conseguimos ver. E é assim. Foi esta a cama que fizemos os dois: aliás, duas camas separadas.

Nós os dois somos os únicos culpados da morte de um Amor que tanta estrada tinha por caminhar. E sim, eu sei que errei... Mas, então, e tu? Tu foste o que não perdoou. (...) E foi assim que nos destruímos: eu construí a bomba e tu fizeste-a detonar. 

Assim, se fez história. Tínhamos tanto Mundo na mão e, agora, nem a mão um do outro podemos agarrar. Deixámo-nos partir e eu sei que, desta vez, não será para voltar. Cansei-me das voltas e contravoltas; das nossas recaídas bruscas e incontroláveis; dos encontros em segredo com sabor a crime e de todas as coisas que passaram a representar-nos. Éramos mais do que isto, lembras-te? Ou talvez nem éramos tanto assim.

Talvez foi isso mesmo que nos condenou, desde o princípio. Pensarmos que éramos mil exércitos em sintonia, quando mais parecíamos duas frentes de batalha em luta uma contra a outra. 

Mas já nem vale a pena pensar mais nisto. Foi este o Destino que ambos escrevemos... e já está na hora de pararmos de tentar culpar tudo o resto à nossa volta. 



Desejo-te toda a felicidade, (mesmo que sem mim). 
Daniela Rosa


segunda-feira, outubro 07, 2013

Quebrámos os dois, afinal. FIM


A terra parou de tremer e os prédios de ruir. O vento amainou e a chuva deixou de cair. E aí, eu soube: tudo tinha acabado. A guerra e a tempestade, finalmente, eclodiram no seu tão iminente fim. (...) O nosso derradeiro fim havia chegado. Nem podia acreditar, mas era real. Não iria ter-te mais aqui a magoar-me e a puxar-me para baixo; a dizer-me onde errei e quais as minhas falhas. E tu não me irias ter mais aí, a puxar-te para mim e a atacar-te onde mais te dói... E nós bem sabemos onde tocar, por nos conhecermos tão bem um ao outro. Mas, agora, acabou de vez. Cansámo-nos desta batalha, onde já nem existiam armas, nem razões para lutar. 

Mas o fim não me soube nem a bonança, nem a tempestade. Soube-me a outra coisa, que nem consigo bem explicar. Não me sinto mais leve, nem mais pesada... Apenas com a falta de algo, nalgum sítio, onde nem bem sei. Como se uma peça me faltasse. E sim, sou a primeira a admitir que me fazes muita falta, mas isso deixou de ser o suficiente para te manter aqui.

De olhos chorosos e maçãs do rosto encharcadas, despedi-me de ti sem saberes, para o silêncio do meu coração magoado e ferido. Pudesses tu saber o quanto já me fizeste sofrer. E pudesse eu saber isso mesmo. E no meio de tantas lágrimas e noites sem dormir, acabámos, assim, do nada, e sem absolutamente nada para mostrar ao Mundo, a não ser histórias - que ao tempo que foram, mais parecem ilusões e miragens. 

E, quem diria? Uma relação de tantos anos - demasiados para contar -, terminada em meros minutos. "Não devia ser assim tão rápido", pensei, enquanto me deitava ao longo na cama: esta, que já partilhámos os dois. E agora que penso nisso... Sempre pensei que havíamos partilhado tanto e vivido tanto juntos. Mas, neste momento, sabe-me a poucos e a quase nadas. Será que o fim até isso nos tira?

E o Amor? Para onde vai o Amor, que não pode ser entregue ou recebido? 
Será que esse também morre connosco? Ou será que volta para cada um dos dois? Não consigo compreender nada do que se passa, mas acho que é para isso que o Fim serve, também.

Para acabar com aquelas tais perguntas, que já nenhum de nós é capaz de responder.

Adeus.

quarta-feira, setembro 18, 2013

E me deixasse de textos tristes?


Menina, tens tantas razões para sorrir. Tantas pessoas que tanto te amam, para poderes abraçar. Tantos lugares que ainda não conheceste, à tua espera. Tantas músicas ainda por ouvir. Tantos nasceres do sol, que consigo trazem um novo dia. Uma nova oportunidade. Um novo começo. Por isso, sorri! Se nesta Avenida ainda não encontraste aquilo que estás à procura, então continua a andar... Tanta estrada tens por percorrer! Olha à tua volta e abraça aquilo que tens, em vez de continuares a entristecer-te por aquilo que tanto te faz falta. Assobia. Dança à chuva. Respira o ar desta cidade que tem tanta cor. 

Ama-te a ti própria e transforma-te naquilo que tu própria queres ser. Faz isso por ti. Depende de ti mesma e segue sempre. És tão maravilhosa e tens tanto pela frente. 

Siga sorrir? Apetece-me. 
E que a chegada da Meia-noite traga aquilo que tu mais precisas: um dia seguinte.

E quando o(a) Sacana pede uma oportunidade?


Há não muito tempo atrás, eu disse-te estas mesmas palavras: "Todos cometemos erros. Todos pagamos um preço. Mas até que ponto é que esse erro compensa o preço que estamos dispostos a pagar?". E tu pensaste, de imediato, que estava a referir-me a ti. Mas não estava. Estava a falar daquele erro que eu própria cometi, naquela noite, em que o álcool se apoderara por completo do meu corpo - mesmo não sendo isso desculpa. O meu preço foi perder-te. E escusado será dizer que não, não compensou absolutamente nada.

Lembro-me de falarmos de segundas oportunidades, os dois. "Eu acredito nelas, apenas não acho que toda a gente as mereça", costumavas dizer para o silêncio do nosso quarto. E eu anuía com a cabeça e sorria-te. E tu bem sabias que eu já muitas chances te havia dado... e que não me arrependera de nenhuma.

E as pessoas perguntavam-me: "Como e porque é que fazes isso por ele?", como se não merecesses. Mas eu nunca duvidara disso, nem por um segundo. Como o fazia? Simplesmente porque sempre fui forte a esse ponto. E cheguei a dizer-te: "Às vezes, mantemos uma pessoa na nossa vida, simplesmente por não nos imaginarmos sem ela...". Tu eras (e sempre foste) um desses casos. E porque é que eu o fazia? Porque te amava. Porque, contigo, cada oportunidade dada e cada espera pareciam valer sempre a pena. 

Magoada fiquei ao aperceber-me que, no que tocava a mim, ao "vice versa", tu não conseguias retribuir-me nada disso. Aliás, - e longe de mim querer desculpar o meu erro desta maneira -, ao primeiro passo em falso (diga-se de passagem) que dei... tu mal hesitaste antes de mandar-me embora. Disseste imediatamente que não te merecia (e talvez seja verdade) e que nada do que fizeras por mim tinha valido de algo. Doeu, percebes? Porque apesar de todo o mal que me trouxeras, eu nem por um segundo havia pensado assim. 

Mas sempre fomos diferentes nesse aspecto. Na maneira como nos amámos. Tu eras intenso, sensível e cegamente iludido por uma ideia de "perfeição" minha. Aquela que tu sempre quiseras. Eu, por outro lado, amava-te de meigo e um tanto friamente. Dava-te todos os beijos e todos os mimos, mas também sabia afastar-te nos momentos em que sabia que estavas a esperar demasiado de mim. 

E talvez tenhas razão. Talvez dares-me uma segunda oportunidade seja um erro... Mas eu estive disposta a pagar esse preço, sempre que fiz isso por ti. 


segunda-feira, setembro 16, 2013

Sou uma princesa da treta.

Li cada uma das tuas palavras, do princípio ao fim... continuam tão feridas. Tão distantes. Tão ressentidas. Como fui capaz de magoar um homem de tal maneira? Se alguma vez me passou pela cabeça achar que merecias, enganei-me redondamente. Tu nunca mereceste nenhuma da dor que te causei. E como conseguiste continuar a amar-me desse jeito inigualável? 

A forma como tu me amaste, cão raivoso, que nunca dava nada a ninguém e que percorria as ruas à noite sem nenhum rumo certo, foi tão única, tão corajosa, tão... estúpida. Quem me dera poder ligar-te neste momento. Acordar-te e dizer-te que está tudo bem. Ou melhor: poder adormecer contigo, algures numa adega no meio do nada, e acordar assim mesmo... rente aos teus lábios e com os teus braços morenos quentes à minha volta. (Nem precisávamos de cobertores). Ou então ir jantar contigo - um bom bife -, para nos perdermos em horas de conversa, enquanto me mandavas comer tudo e não deixar restos no prato. E os teus beijos? Suaves, doces como caramelo. Pudesse eu ser as tuas palavras, para poder saboreá-los todos os dias. 




Mas, agora, só consigo chorar. Magoei-te. Deitei o teu Mundo abaixo por completo, prometendo-te um melhor, e deixei-te sem nada a que te pudesses agarrar... Nem voltei atrás para ver se ainda respiravas. Segui sempre em frente, sem me importar. Meu Deus, como pude ser tão estúpida, tão insensível, tão bruxa? E tu, tolo, ainda vieste atrás de mim... pudesse eu voltar a essa noite. Essa, em que te fiz chorar. Essa, em que podia jurar conseguir ouvir o teu coração a quebrar aos pedacinhos. E eu nem os juntei. Nem tu. Ficámos os dois a mirá-los, ainda ferventes de dor e a sangrar ao longo da calçada.

Mas eu estou a pagar o meu castigo: perdi-te. Aliás, deixei-me perder-te. Não fosse eu - naquela altura - uma tonta apaixonada pela loucura, pela festa e pelos problemas... Que parva! Pudesse eu voltar atrás e esperar por ti. Talvez, quem sabe?, estaria contigo a fazer conchinha comigo e a dar-me beijos na testa, neste momento. Ou então a falar comigo ao telemóvel, para que a tua voz fosse a última que eu ouvisse antes de adormecer.

Eu ainda te amo. Sempre te amei, mas estava cega. Tal como tu. (Cegueiras diferentes). 
Mas o nevoeiro foi-se com a chegada do Verão... E mal abri os olhos, não te vi e assustei-me. E mal chamei por ti, tu não vieste. E mal te pedi um beijo, tu recusaste. E mal te pedi para ficar, tu mandaste-me embora. Não foste mau, foste justo. E eu fui egoísta.

Não mereço um Homem como tu...
"Só não queria que visses o Sol nascer, sozinho..."

sábado, setembro 14, 2013

Amar-te foi bebedeira. Agora, ressaco. Porra.

E já não bastava o meu vício do tabaco... também tive de me viciar em ti. O mais engraçado de tudo isto é que só me apercebi do quão agarrada estava, depois de me ver sem a tua presença. Porra. E eu que pensava que mal saísse de ao pé de ti, tudo passaria e voltaria aos eixos. Mas não! Porra. Até nos meus sonhos me apareces, com esse teu meio sorriso estúpido e dócil, de gozão. E essa tua pele morena, encharcada em água salgada, a reluzir ao sol. E os teus olhos que nunca consegui bem decifrar (se são castanhos, ou verdes? sei lá...). E o cheiro do teu cabelo, que ainda continua tão presente na minha memória, como se estivesses realmente aqui ao meu lado. Mas não estás. Porra, não estás. 

Que raio de vício que tu és. Que raio de droga te tornaste. 

É muito fácil dizer a mim própria ao Mundo que, eventualmente, hei-de deixar de fumar. Se já o fiz? Não. Da mesma forma que também te disse - a ti e a toda a gente -, que não eras mais do que Passado. Se é verdade? Não. Porra. Não é. 

Amar-te e ter-te foi como uma espécie de transe, que nem parecia ser real. E a memória de perder-me nos teus braços, ao longo da cama, é como que uma miragem no meio de um deserto. E, agora, longe de ti e das noites debaixo das estrelas, que jamais teremos de volta, ressaco. Sinto falta. Faz-me doer a cabeça e tonteia-me até quase perder o equilíbrio. Porra. 


Não me leves a mal. Eu sei que te mandei embora incontáveis vezes e que poucas foram aquelas em que realmente fui atrás de ti. Da última vez, foste tu o que me disse "não". E, oh, como custou. Como foi doloroso ter-te ali, à minha frente, mesmo a jeito (para roubar-te um grandesíssimo beijo), e... nada. Porra. Doeu tanto não poder saborear-te e tocar-te o quanto eu queria. E, oh, se queria. Nunca hás-de saber a vontade e o desejo que tenho por ti, a todos os momentos.

Pode até nem ser Amor. De facto, não tenho a certeza disso, sequer. Mas, contigo, nunca foram precisas certezas... Aliás, nunca precisámos de muito. Tínhamo-nos um ao outro. Tínhamos a noite. Tínhamos os nossos corpos, que sempre dançaram tão bem. Tínhamos os beijos ardentes, que não pediam absolutamente nada em troca. (...) É tão difícil não poder beijar-te, neste momento.

Posso não amar-te, mas preciso-te. Quero-te. Apeteces-me. A qualquer hora. 
E já que não posso matar o desejo, nem acabar com esta ressaca que está prevista para durar... Hei-de fumar um cigarro. De beber um copo. E de adormecer agarrada a uma almofada, imaginando que és tu.

quinta-feira, setembro 12, 2013

"És onde quero estar"? És é uma merda.

 Como? Como é que conseguiste descartar-me deste jeito, sem qualquer tipo de aviso ou justificação? Será que fui eu que agi como quem não se importa em ser tratada assim? É que (caso não tenha chegado ao teu cérebro de ervilha) eu importo-me – e MUITO (quiçá, demasiado). 

 Será que te esqueceste de tudo, assim de repente? Tipo naqueles filmes em que alguém leva com uma lavagem ao cérebro e esquece-se completamente da pessoa que era e de tudo o que dela fazia parte. Será que foi isso que te aconteceu? (...) 

 Como é que tu, há menos de dois meses, estavas a vir ao meu encontro, à minha Avenida que já tão bem conhecias – e que tanto tornaste tua -, para, agora, estares a agir tão habilmente como se não me conhecesses? Que sentido é que isso faz?! Que mal é que eu posso te ter feito para merecer esse tratamento?! Que filme é este e como é que o enredo se alterou completamente, em tão pouquíssimo tempo? Juro a ti e a toda a gente que não estava à espera, mesmo sendo tu esse bicho imprevisível que não consegue parar quieto. Isto é demais!



 Mal te conheci, meti-me a pensar se alguma vez já nos teríamos cruzado algures. No metro. Ou num autocarro qualquer. Ou numa daquelas festas de faculdade. E depois questionava-me: “mas como é que não reparei em ti antes?”. Julgava-te a pessoa mais interessante que havia conhecido por esta cidade (a que tanto deste cor). Julgava-te bom e merecedor de mim. Porra, até julgava que vinhas para ficar. E eu queria tanto que ficasses. Mas isso tu não sabes, pois não? 

 Nem perdeste tempo. Meteste-te com tantas provocações, jantares e cervejas para cima de mim, e para quê? Deste-me com esse típico engate de “sou jovem, amante de sarilhos e de liberdade” com que objectivo? E depois de todas as vezes que demonstrei desinteresse, porque raio é que não desististe? Se, no final, simplesmente irias acabar por deitar fora tudo o que fizeras e seguir imediatamente para outra, como se eu não passasse apenas da merda de uma pedra no caminho? 

 Fui um mero entretenimento de Primavera? Fui apenas um desafio? Uma aposta entre ti e os teus amigo? Um erro? Um apetecimento de momento(s)? Diz-me, por favor, o que raio fui eu na tua vida. Acredita, magoar-me mais, não consegues. Vá, atira-me com nada mais do que a verdade, que já estou pronta para toda a merda vinda de ti. 

 E o pior é que nem me deste oportunidade, nem tempo, nem paciência, para te mostrar o tudo que sou. O tudo que tenho para dar. E o tudo que estava disposta a partilhar contigo. Se foi por falta de vontade ou de interesse, não sei. Mas sabes a melhor? Tu é que perdeste. Digo isto com todas as letras e sílabas, várias vezes e repito: t-u é q-u-e p-e-r-d-e-s-t-e. Nunca hei-de duvidar disto, nem por um segundo. 

 E o pior ainda é que nunca vais saber aquilo que perdeste. Disseste-me que eu era onde tu querias estar... E eu, agora, só te digo: só espero que Lisboa se revele bem grande para eu não ter de me voltar a cruzar contigo. 

 Vai-te foder.

quarta-feira, setembro 04, 2013

Levaste todas as cores contigo.

Hoje, choro. Porque partiste. Porque não me disseste nada. Porque deixaste de atender às minhas chamadas. Porque não mais apareceste naqueles sítios que se tornaram tão nossos, por esta cidade tão fria, a que só o amor é capaz de dar cor. E tu, outrora, foste-as. 

Eras a cinza das calçadas que tanto pisámos, lado a lado, naqueles passeios tardios embalados pelo som das nossas gargalhadas. Eras o amarelo do Sol, que tanto incidia sobre as nossas cabeças e que tanto nos cegava (ou talvez só a mim me cegou). Eras o branco do meu sorriso, que tão naturalmente se esboçava na tua presença; na tua e de mais ninguém. E eras o vermelho do meu coração, que tão insistentemente batia por ti e sussurrava o teu nome no meu peito. 

Mas tu partiste, e levaste todas essas cores contigo. E a tamanha azáfama colorida dos meus dias, não mais voltou. E eu juro-te que (te) esperei. Mesmo aqui, neste banco desbotado pela chuva, onde agora me encontro. E onde, outrora, nos perdemos em conversas mais longas que os caminhos que percorremos, naquelas tardes primaveris que eu julgara, erradamente, que durariam para sempre. 

Mas a cidade está deserta, agora. E o teu nome continua escrito por todo o lado: nas pedras do caminho, no preto do alcatrão, no fumo dos carros e nas entradas dos cafés. Nas solas dos meus sapatos, na palma da minha mão, nas cicatrizes à flor da minha pele. No meu pescoço, nas minhas lágrimas e no meu sorriso (se é que lhe posso chamar isso, agora). 

Não consigo escrever mais sobre ti, porque dói. Dói por ser a única coisa que me resta fazer, quando a minha maior vontade é ver-te chegar (e ainda estás a tempo...). E enquanto durmo... a chuva há-de limpar o teu nome da cidade, e a forma dos teus passos pela calçada. E o tempo há-de devolver-me as cores todas que tu levaste contigo.

Nem te despediste. Nem disseste nada. 
Nem um passo deste na minha direcção. 
Nem um último abraço... nem um último beijo 
(e pudesse eu lembrar-me a que sabem os teus beijos!...).

quinta-feira, agosto 29, 2013

Nunca me amaste.

Eu, aquela que te amou. Aquela que, por ti, começou a comer as códeas das sandes, porque te irritava quando as deixava à beira do prato. Aquela que, por ti, deixou de fumar, porque tu tanto me ordenaste. Aquela que, por ti, era capaz de voltar atrás e mudar de roupa, só para não estar a levar contigo a dizer que andava sempre descapotável. Aquela que, por ti, passou a adorar as tuas bandas, programas e passatempos preferidos, só para poder passar mais tempo contigo. 

Contigo, o tempo todo do Mundo parecia não ser suficiente. E nada do que eu fazia parecia ser suficiente para te manter aqui. E tu deixaste-me acreditar nisso mesmo. Que eu não era e jamais seria boa o quanto baste para te merecer. 

Não te olho com mágoa, ou raiva... O tempo passou. E eu cresci com ele. As feridas cicatrizaram e não passam, agora, de marcas quase que imperceptíveis à flor da minha pele. 


Eu, aquela que te amou. Aquela que te afagava os cabelos castanhos, sempre que te magoavas a andar de skate. Aquela que te beijava os arranhões nos joelhos. Aquela que tomava conta de ti, naqueles momentos em que tornavas incapaz de o fazer. Aquela que nunca, nem por um segundo, saiu do teu lado, por mais que a mandasses embora. 

Tu nunca me amaste. Amavas apenas aquilo tudo que eu fazia por ti. Amavas a segurança que eu te dava. Amavas a companhia que eu era e que nunca te deixava. E amavas o amor que recebias de mim: cego, louco, estúpido. Eu amava-te e, por ti, fui um bicho. Daqueles que se escondem na sombra e que se alimenta do que vai arranjando, sem nunca sair do buraco, mesmo que de fome possa morrer. 

Eu estava disposta a fazer tudo por ti, porque te amei. 
Amava-te tanto que nem depois de saber que não me amavas, deixei de o fazer.

quarta-feira, agosto 28, 2013

Era uma vez um Quebra-Corações...



Ele amava-a tanto - oh, se amava! Tanto, mas tanto, que até julgara não precisar nem de mais nada, nem de mais ninguém, a não ser dela... Aquela mulher que sempre amara, desde as brincadeiras de crianças, junto à maré, em tardes de Verão, até às noites escaldantes onde se perdiam, adolescentes, numa cama revirada e embrenhada pelos seus cheiros. Oh, se a amava! 

Ele jamais a magoaria - ela era demasiado preciosa para sequer passar-lhe pela cabeça fazê-lo. Costumavam ir para a costa aos finais de tarde: ela levava-lhe sempre uma sandes de qualquer coisa - não interessava, pois saber-lhe-ia sempre bem, pois foram as suas mãos que a fizeram -, e ele levava a sua guitarra, o seu segundo Amor na vida. Deixavam-se ficar, vendo o sol se pôr e cantando cantigas que só eles percebiam; que só eles conseguiam ouvir. O amor deles era assim: louco, jovem, ciumento, intenso e egoísta, não permitindo que ninguém se aproximasse demasiado. 

Mas ele esquecera-se que ela, tal como todo o ser humano nesse mundo, tem um monstro dentro de si. Esquecera-se, porque sempre havia acreditado que ela era o síndrome da perfeição em pessoa. Idolatrava-a. Amava-a. Respirava-a e precisava dela para o fazer. Que ingénuo, coitado, que acabou por sair mais magoado, do que alguém seria capaz de sofrer. 

Desde então, não voltou a ser o mesmo. Perdê-la foi como perder tudo aquilo que costumava ser e amar. Desamparado e nu, como um cão abandonado com raiva, deixou-se vaguear pelas ruas sem qualquer sítio aonde ir; sem qualquer abrigo para se esconder da chuva e das suas lágrimas; sem qualquer saída para fugir dos pensamentos que tanto o empurravam para o seu próprio Fim. 

Tornou-se um Quebra-Corações: sem dó nem piedade. Que se alimenta pela dor de quem o ama: tal como ela lhe fizera. Sentira-se tão usado em troca de Amor, que acabou por não mais conseguir amar ninguém, só usar. Aproveitar. Para, no fim, deitar fora e seguir caminho. Fora nisso que ele se tornara.

Mas estava tudo bem: ele preferia isso a ser magoado, de novo. Jamais quereria passar pelo que passou. Por ela. Essa que ele tanto amava, que sempre tanto amou. E que dele roubou tudo e partiu simplesmente, sem sequer olhar para trás para saber se ele estava vivo. E não estava. Ele morreu nesse dia - quando ela partiu.

Desculpa ter sido o Monstro que te criou...

terça-feira, agosto 27, 2013

Vai, que eu fico aqui a amar-te para sempre.


Como é que consigo amar-te tanto e desta maneira? Sem te ter. Sem te poder tocar. Sem te poder dar um beijo sempre que me apetece. Sem sequer te poder chamar de "meu". Tornaste-te numa borboleta que está constantemente a pairar à volta da minha cabeça e à frente dos meus olhos, mas nunca próxima de ficar. Pousas na minha mão de forma tão leve e surpreendente, que até tenho medo de prestar demasiada atenção, com o risco de a perder. E assim o é: de tão rapidamente que vem, ainda mais fugazmente se vai, deixando para trás apenas aquele formigueiro à flor da minha pele e o som do bater das suas asas, ainda a ecoar no vazio do meu coração. Foi nisso que te tornaste. E como é que consigo continuar a amar-te mesmo assim?

Lembro-me tão bem da primeira vez que te vi, a passar a porta da sala de aula com 10 minutos de atraso. Lembro-me de como me inebriaste com todas as estações do ano, de uma só vez: os teus olhos eram brilhantes como dias de Verão; os teus cabelos eram os vários tons das folhas que preenchem as árvores, nas tardes de Outono; o teu meio sorriso era tímido como o Sol de manhãs de Primavera e cheiravas a chuva fria de Inverno. Embebedei-me de tal modo com tudo isso, que até me senti a ficar sem ar. Amei-te assim que te vi. E ainda não consegui deixar de fazê-lo... E olha para os anos que passaram por nós!

Será possível amar alguém para sempre, mesmo sem receber nada em troca? Mesmo sem poder expressar tal Amor? Será possível? Se não é, então como é que eu o faço por ti? (...) Talvez seja assim: amar-te simplesmente porque sim; por não saber fazer nem sentir outra coisa. Amar-te de coração, alma e corpo por completo, sem ser preciso mais nada. Amar-te como respiro: sem o conseguir evitar. Amar-te é isso: é tão meu, é tão o que eu sou e o que sempre quis ser. Faz-me sentir bem, livre, jovem. Faz-me acreditar no Amor em toda a sua plenitude. Sem pedir por mais nada. Sem querer mais nada. Uma carta sem resposta. Uma melodia para o vazio.

Amo-te da forma mais limpa e verdadeira que alguém pode amar. 

És a minha alma gémea. Nunca hei-de pensar o contrário, por mais homens que se cruzem comigo; por mais pessoas que eu ame e venere; por mais amor que lhes dê e que deles receba. O meu coração terá sempre um lugar para ti: bem aqui, no canto mais sagrado e mais secreto do baú, onde ninguém - a não ser eu e tu - consegue chegar.

Agora, voa, borboleta. 
Estou aqui a ver-te pairar. 
Sê livre de ir. Sê livre de voltar.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Ela não te merece.


Olha para ti. O que é que te aconteceu? Vejo-te a rastejar por um oásis que há muito secou. Tu não eras assim. Eras sempre aquele que mantinha a cabeça bem assente e os pés no chão; não te deixavas iludir por nada e a consciência era sempre a tua melhor amiga. Isto, pelo menos quando estavas nos meus braços, e não nos dela... essa rapariga que veio trazer o pior de ti. 

Ver-te apaixonado por outra pessoa - que não eu - pela primeira vez, foi mais assustador do que doloroso. Ao início, estava genuinamente feliz por ti - estavas a seguir com a tua vida e estavas a dar uma nova oportunidade ao teu coração, fechado à chave desde que parti. No entanto, foste-te transformando de uma forma tão contraditória àquilo que tu eras, que comecei a temer por ti. Tornaste-te demasiado vulnerável, apegado, inseguro. Agarraste-te com unhas e dentes de uma forma que nunca pensei que fosse possível. "É uma experiência nova, portanto é normal", dizias-me, em conversas de café, "Já não me sentia assim há tanto tempo...", confessavas-me em suspiros. E eu sorria. Sorria porque adorava saber que estavas bem, mesmo que sem mim.

Mas, agora, olho para ti... tão ferido e com olhos baços e tristes. Porque caíste. Porque ela te empurrou. Porque ela não soube ver o homem fantástico e único que tu és e sempre foste. E isso entristece-me... ela deixou escapar um tesouro que não se abre a qualquer pessoa, e nem se apercebeu disso. Deixou-te, simplesmente: ali, deitado e despido no escuro; e nem se preocupou em voltar atrás para saber se estavas bem. 

Eu estou aqui e hei-de sempre estar. Porque nunca me deste razões para não o fazer: e se deste, então eu simplesmente não as achei suficientes. Quero abraçar-te e dizer-te que tudo correrá bem. Quero beijar-te o rosto e limpar-te as feridas, uma a uma. Quero sussurrar-te ao ouvido o quanto ela não te merece e que ela é que perdeu. E enquanto não acreditasses, eu repetiria, uma e outra vez, até que o fizesses. Quero lembrar-te que não estás, nem nunca estarás sozinho.

Ver-te sofrer por outra pessoa pela primeira vez foi tão estranho. E no fundo do meu coração, preferia que tivesse sido eu. Acredita. Ver-te cair desta maneira até a mim me doeu: acho que contigo serei sempre assim "tu cais e eu sangro", simplesmente porque tu não mereces nenhuma dessa dor e ela não tinha direito de te fazer isto. Ela não sabe o que perdeu, mas eu sei... porque também o perdi. 

Muita força, meu amigo, meu antigo amante. Foi a tua primeira queda em muito tempo, e essa é sempre a mais dolorosa. Mas tu ficarás mais forte. Acredita em mim. Eu sei do que falo.

quinta-feira, agosto 22, 2013

Tu amaste-me, certo?


A pessoa que tu és agora - essa que está mesmo aqui, rente aos meus dias, rente à minha pele, mas sem nunca me tocar (por medo?) -, não se parece nada contigo; não se parece nada com o rapaz que conheci em tempos. É curioso, sabes?, como alguém é capaz de mudar com o amor; de mudar por amor. Tu fizeste-o por mim, sem eu te pedir. Costumavas cuidar tão bem de mim. Eras assim: mais próximo de mim, do que de ti mesmo. Nunca havia conhecido ninguém como tu. Apaixonaste-te por mim, mas não de repente e não de ânimo leve. Ainda me lembro de me dizeres, em suspiros, e com uma gargalhada meio triste: "Acho que sempre te amei...", e isso doía-me mais do me alegrava. Sempre te conheci como um alguém sem medos, pelo menos até me aperceber que era eu quem tu mais temias. Pelo poder que eu tinha sobre ti. Mal sabias lidar com isso... Mas, mesmo assim, apaixonaste-te e lutaste por mim. Contra todos os teus temores, contra todas as tuas desconfianças e feridas, que eu mesma havia causado. Passo a passo, jogaste tudo isso fora e ficaste aqui, junto aos meus lábios e a dar cor aos meus dias. Mesmo que, a cada dia que passasse, mais o medo e a insegurança fossem ocupando os cantos e recantos do teu corpo.

Um dia disseste-me que amar-me fora a coisa mais difícil que alguma vez fizeste. E mal dizias isto, rias-te para o vazio: "És mais difícil de perceber do que toda a gente pensa!", e rias-te de novo. Estavas sempre a rir. Mas não eram risos típicos de piadas de café. Eram risos tensos e fechados, como se estivessem a conter sentimentos demasiado turbulentos para virem ao de cima. Mas, mesmo assim, tu continuavas junto a mim: a levar-me a casa, a entregares-me o teu casaco, quando eu me esquecia do meu, a beijares-me à chuva. Da última vez que te beijei, antes de partir a um rumo incerto - e ambos já sabíamos que eu tinha de partir -, senti-te tremer de uma maneira incrivelmente dolorosa. Tremias por todo o corpo, por todos os poros, como se um choro ou um grito se quisesse soltar - mas tu jamais deixarias.

Tu não és esse rapaz, agora. Estás frio. Estás distante. E as tuas palavras sabem a amargo. Talvez eu mereça esse tipo de tratamento. Fiz-te passar por tanto; fiz-te ir contra as tuas convicções e deitei abaixo todas as barreiras que te protegiam do Mundo em volta - quando, na verdade, a única pessoa de quem te deverias ter protegido era de mim. 

Mas tu amaste-me. Nunca hei-de duvidar disso, por mais que o tempo passe e por mais que nos separemos. A forma como tu me amaste, como nunca ninguém o fez. A forma como tu lutaste por mim e por nós, mesmo depois de se esgotarem as razões e os motivos. A forma como fizeste os possíveis e os impossíveis para não desistir - apesar de eu mesma já o ter feito.

quinta-feira, julho 11, 2013

De todos os loucos, eu escolhi-te a ti.


Jamais te encararei como uma "escolha errada", ou como "tempo perdido". Não sou assim. E só porque algo não resulta; e só porque algo não segue o caminho que tanto queríamos... não significa que não tenha valido a pena. É isso que nos falta, muitas vezes. Compreender isto mesmo: que vale sempre a pena tentar, mesmo que não resulte. 

Jamais te olharei como uma espécie de "derrota". Ao invés, encaro-te como uma "lição". De que nem todos os passos da nossa vida têm de ser premeditados e repensados até à exaustão. De que nem todas as histórias de amor têm de envolver "amo-tes", ou dedos entrelaçados. De que nem todos os finais das mesmas têm de ser tristes e tempestuosos. De que nem tudo tem de ter uma justificação, um motivo.

Ensinaste-me tanto com essa tua atitude de quem nunca aprende nada. Com essa tua laia de brincalhão que não procura controlar nada, nem ser controlado por ninguém. Com esse teu jeito de desapego e irresponsabilidade. Com essa tua paixão pela adrenalina e pelos problemas. 

Continuo a dizer que foste o maior louco que alguma vez conheci. E talvez o que melhor se conectou comigo, e com a minha loucura e estranheza, em todas as suas formas. E, por isso, procuro despedir-me de ti, com este texto, e com o maior dos sorrisos e talvez até com algumas gargalhadas... tal como sempre foi. tal como sempre fomos. 

Quando apareceste, de rompante, pela minha vida, à porta do meu apartamento, feito turista em cima de uma mota e de mochila às costas, já devia ter percebido que vinhas meramente de passagem, e sem quaisquer intenções de ficar. E não te censuro mais por isso. És assim: um puro louco idiota, e querer que mudes seria ir contra tudo aquilo que me fez prender-me a ti, em primeiro lugar.

Serás feliz à tua maneira, disso eu tenho a certeza. Viverás como queres, sem nunca deixares nenhum mapa guiar-te, e nenhuma mulher prender-te. Respeito-te por isso, mesmo que o meu maior desejo seja ver-te ficar... Mas tu és assim: um louco frio apaixonado pela Vida apenas. Admiro-te por isso, mesmo que o meu maior sonho tenha sido ver-te apaixonado por mim também.

Faz boa viagem... Foi um enorme e radioso prazer conhecer-te.

quarta-feira, julho 10, 2013

O problema de muitos homens.


As raparigas não são fáceis - e vocês, homens, rapazes, não precisam de estar sempre a dizê-lo a nós, nem a uns aos outros. Nós sabemo-lo e bem. Não somos sempre concisas, nem sempre fazemos o mínimo sentido. Raramente sabemos o que queremos. E quando o sabemos, conseguimos agir de forma completamente contrária a isso mesmo. Discutimos por tudo e por nada. Temos ciúmes injustificados das vossas amigas mais próximas. Não gostamos de nos sentir controladas, mas, em contrapartida, não gostamos que saiam à noite sem nos avisarem primeiro. Fazemo-nos de vítimas para ganharmos as discussões. Somos sensíveis em demasia e dramáticas até dizer chega. Fazemos filmes como o caraças.

Sim, não somos fáceis. E acredito que muitas de nós vos queiram pedir desculpas por isso mesmo. 

Mas a vocês, homens, deixo um conselho: comuniquem. Acredito que o vosso maior problema é não se esforçarem o suficiente a transparecer o que realmente pensam ou sentem. Têm dificuldades em expressar os vossos sentimentos? Pois, nós também. Mas não é por isso que fugimos deles. Aliás, somos capazes de atirá-los à vossa cara incessantemente, até que vocês finalmente percebam. Aprendam, homens, a comunicar simplesmente. 

Gostam da rapariga? Ajam como tal. Dêem-lhe a devida atenção. Não é pedir muito, podem começar devagar... Uma palavra gentil ali, um elogio acolá, e já nos fazem o dia! Não conseguem corresponder aos sentimentos dela? Digam-lhe simplesmente. "Tenho medo de magoá-la", não é desculpa, porque não há maior tortura para uma mulher do que ser deixada na dúvida e nas infinitas questões. 

O problema de muitos homens é que não sabem o efeito monstruoso que têm sobre as mulheres. E quando o sabem, muitas vezes, aproveitam-se disso mesmo. E nós, muitas vezes, tentamos esconder isso ao máximo, mas somos péssimas atrizes... Somos mesmo. E vocês são capazes, através de uma mera palavra, de um mero abraço, de um mero insulto, dar-nos o melhor ou o pior dia da nossa semana; trazer ao de cima o melhor, ou o pior de nós. 

Mas não se assustem... (des)Funcionamos assim, nós, mulheres. E ora aí está o problema de muitos homens: têm medo. Escondem-se das responsabilidades, das discussões e dos problemas. Acobardam-se. Escolhem a saída 'mais fácil', que na verdade só vos vale a perda de uma oportunidade e de uma mulher que poderia ter mudado a vossa vida por completo.

O problema de muitos homens é esquecerem-se de que, nós, mulheres, seremos sempre a vossa maior ruína, a maior dor de cabeça... e, ao mesmo tempo, a vossa maior das felicidades. 

segunda-feira, julho 08, 2013

Eu poderia ter-me apaixonado por ti.


Olá, idiota, que, desde o princípio, me deu todas as razões para acreditar que, desta vez, tudo seria diferente. Olá, idiota, que, por alguma razão que desconheço, e sem qualquer justificação dada, desapareceu da minha vista, como um assobio ao vento. Olá, idiota, que jamais saberá o quanto significou para mim. ou o quão longe eu estava disposta a ir por ele. 

Onde é que eu errei, lá atrás? E o que é que posso eu ter feito de errado, para te fazer fugir, de forma tão brusca e fria, sem quaisquer escrúpulos? Muitos me dizem que o problema não é meu, e que tu simplesmente perdeste todo o interesse. Mas eu não consigo acreditar nisso. Ou talvez não queira, simplesmente. Aliás, como é que, numa noite, estás aqui, rente aos meus lábios, para na outra evitares por completo o nosso encontro? A minha chamada? As minhas palavras?

Disseram-me, outrora, que um homem quando está interessado realmente por uma mulher, é capaz de percorrer meia cidade, a meio da noite, por ela. E que se mostra sempre disponível. E que é sempre um "hoje-sim", em vez de um "agora-não". E que nunca se cansa até, dela, arrancar o maior dos sorrisos.

Tu foste isso tudo, e agora? Em que fico eu? (...) Porra, só a vontade de ir ao teu encontro, espetar-te um beijo e chamar-te de idiota, de otário, de estúpido. Ao que tu responderias com gargalhadas e com outro beijo, ainda mais intenso que o antecedente. Éramos assim: não-convencionais, parvos, brincalhões e miúdos autênticos... Agora, quando e porque é que nos tornámos em dois apáticos distantes um do outro? 

Só me deixaste com perguntas e suposições... e eu não posso viver delas, sabias? E porque raio é que fizeste questão de te aproximar de mim, se as tuas intenções eram estas?! Eu não consigo perceber absolutamente nada do que (nos) me está acontecer e isso frustra-me a um nível que jamais pensei que fosse possível.

A verdade é que eu poderia ter-me apaixonado por ti. E é isso que mais me assusta. A facilidade com que conseguiste fazê-lo - eu! uma rapariga que sempre se desliga de tudo o que é sentimento! -, para, agora, me deixares nos mais puro dos silêncios. E tu sabes que eu preciso de palavras. de gestos. de brincadeiras. E varreste-me de tudo isso...

Eu poderia ter-me apaixonado por ti. Até me aperceber de que tu simplesmente não consegues apaixonar-te por mim. É essa a maior das dores. É essa a maior das realidades.

terça-feira, julho 02, 2013

Tornaste-te em tempo perdido.


Ela cansara-se. Ela finalmente, e depois de demasiado tempo, cansara-se. Apercebera-se, por fim, que não tem tempo para perder tempo. Homens que têm mais dúvidas que cabelos? Homens que, num dia, percorrem meio mundo por ela, e no outro nem vontade têm para dar um passo em frente? Homens perturbados e frios como manhãs de Inverno? Cansara-se deles. Finalmente, perdera a paciência para lidar com esse tipo de miúdos - é isso que eles são, na verdade. Sim, não passam de crianças num jogo de homens. Ela apercebera-se disso. E já não era sem tempo. (...)

Achas que mereço levar com esses teus jogos de toca e foge? Hoje, vamos dar o braço e percorrer as Avenidas lisboetas, e amanhã nem sou digna de uma mera palavra tua? Achas que preciso disto? Então, desengana-te. Ou melhor, deixa-te estar, que eu cá hei-de ficar também. Se pensas que sou daquelas que fica à espera fora da porta só para te ver desaparecer ao longo da rua, então estás enganado. Se pensas que sou daquelas que adormece a pensar onde é que errou por ter perdido alguém como tu, então estás no erro. Não preciso disto. Aliás, só me consegues provar cada vez mais, e a cada dia que passa, que simplesmente não preciso de alguém como tu. 

Eu procuro alguém que não funcione por dias, ou por apetecimentos de momento. Quero alguém que me ame de coração inteiro, e não só quando apetece, ou quando dá jeito, ou quando é mais conveniente. Quero alguém que me faça sentir segura de que, ao adormecer do meu lado, vai manter-se assim, junto a mim, ao acordar na manhã seguinte. Quero alguém capaz de me aceitar por tudo o que sou, por todos os erros que já cometi e por todas as cicatrizes, ainda desenhadas à flor da minha pele, junto ao peito. 

Julgava-te bom para mim, e acreditei mesmo, algures, que me fosses fazer muito bem. Mas tu não és (mais) tu. E eu não tenho tempo para indecisos que, num dia, me fazem rir às gargalhadas, para noutros me deitarem completamente abaixo. Não tenho tempo, nem vontade, percebes? E é pena. É pena porque eu estava disposta a percorrer meio mundo por ti. Estava disposta a dar-te todo o tempo que quisesses para sarares as tuas próprias feridas. Mas nada disso basta, quando tu simplesmente não estás disposto a fazer o mesmo por mim, deixando-me ao primeiro abanão. 

Um dia, disseste-me que tínhamos todo o Tempo do Mundo... 
E sim, talvez tenhamos... Mas isso não implica que eu o queira gastar todo contigo. 

quinta-feira, junho 27, 2013

Não passas de um amargurado pelo Passado.


Escondes-te atrás de uma máscara de indiferença e insensibilidade, por já te terem magoado tanto antes. Deixas de criar expectativas sobre o que quer que seja, por não aguentares mais com desilusões. Proteges-te por uma muralha impenetrável, que impede qualquer pessoa de se aproximar demasiado de ti, por não quereres que ninguém volte a ter esse poder. Escolhes deixar passar ao lado qualquer oportunidade de algo mais, por achares que nem vale a pena, porque já te cansaste de histórias falhadas. Depois dizes e repetes que não te importas com nada, nem com ninguém, e que estares sozinho e só por ti, é mais que suficiente para seres feliz. Afirmas com convicção que não tens problemas e é melhor assim. Agora, olha à tua volta. Olha para todos os "tolos" - como lhes chamas - apaixonados por aí. Que caem, que se esfolam, mas que, face à noite, adormecem abraçados ao corpo quente de outra pessoa. E tu? Agarras-te a quê? A uma almofada impregnada apenas pelo teu cheiro - pelo teu, e por mais nenhum! E a lençóis desbotados de emoção e de qualquer sentimento tempestuoso, como a tua Vida se tornou. Pensas que te estás a proteger, mas na verdade és só mais alguém com medo. Com medo de se dar. Com medo de arriscar. Com medo de falhar. Com medo de agir. Estás a fugir a tudo o que não controlas - apenas isso. E, assim, vives os teus dias... Sem nada a que te agarrar, a não ser à crença de que, se não deres a chave do teu coração a ninguém, que este se manterá a salvo. Mas sabes que mais? Esse mesmo, que já mal bate dentro do teu peito, está a ganhar pó. E é isso que tu queres para ti? Continuas a dizer que sim, para o silêncio do teu quarto, onde já ninguém entra, há sabe-se-lá quanto tempo. Porque tu o fechaste. Porque tu assim o queres, não é? 

Dizes que estás bem, como nunca antes estiveste. Mas e feliz, estás? Julgas-te muito corajoso, o maior viajante, amante da vida louca e sem quaisquer limites... Errado. És um cobarde que se limita a si mesmo, por não conseguir lidar com o medo de alguma vez voltar a sentir. Voltar a amar. Voltar a dar-se. Voltar a chorar. Voltar a ser ferido. 

Estás a ouvir isto? É silêncio. Tanto no teu quarto, como no teu coração. Vai ficar cada vez mais ensurdecedor, sabias? Pensas que o Amor é o maior assassino, capaz de levar um homem à loucura... Mas sabes a melhor? A Solidão vai ser o teu fim... E tu o único culpado disso mesmo.